Bovespa abre em alta e deve buscar recuperação

Ambiente doméstico pode contribuir para trazer certo alívio aos negócios locais

Olívia Bulla, da Agência Estado,

28 de julho de 2011 | 10h22

A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) abriu hoje em alta e deve busca um refresco no pregão desta quinta-feira, após acumular três dias consecutivos de perdas e fechar ontem no menor nível do ano. O ambiente doméstico, em meio à safra de balanços e a um noticiário corporativo intenso, pode contribuir para trazer certo alívio aos negócios locais. Mas o receio com o cenário internacional deve continuar exercendo pressão negativa, embora o dado sobre pedidos semanais de auxílio-desemprego nos EUA tenha atenuado as perdas da manhã. Às 10h10, o índice Bovespa (Ibovespa) tinha alta de 0,49%, aos 58.576 pontos.

Os EUA informaram que os pedidos de auxílio-desemprego feitos no país na semana passada caíram em 24 mil, com o número total de solicitações caindo abaixo de 400 mil pela primeira vez desde o início de abril. Economistas esperavam estabilidade no dado. Em Nova York, os índices futuros firmaram-se no campo positivo, após o anúncio do indicador. Ainda por lá, às 11 horas, saem as vendas pendentes de imóveis em junho e, às 12 horas, é a vez do índice regional de atividade em Kansas City neste mês.

Mas o grande evento do dia no EUA deve acontecer em Washington. A Câmara dos Representantes se prepara para votar hoje o plano revisado do presidente da Casa, o republicano John Boehner, para aumentar o teto da dívida do país. No entanto, senadores democratas e independentes já afirmaram que vão se opor à proposta. Outro plano, o do democrata líder do Senado, Harry Reid, também enfrenta obstáculos e as negociações dos legisladores em busca de opções devem prosseguir, o que poderá arrastar as discussões até a próxima terça-feira, último dia para que seja definido um acordo.

O estrategista-chefe da SLW Corretora, Pedro Galdi, afirma que os investidores "não tem muito para onde fugir" e aguardam uma definição sobre o endividamento norte-americano. Para ele, a turbulência nos mercados internacionais deve continuar prevalecendo na Bovespa, embora possa haver uma maior disposição em busca de oportunidades de compra.

Ontem, o Ibovespa fechou em queda pela terceira vez seguida, no menor nível do ano e no patamar mais baixo desde 20 de maio do ano passado. Em três dias, o Ibovespa perdeu 3,29%, elevando as perdas em julho para 6,59% e acumulando queda de quase 16% no ano.

Ainda que com ímpeto reduzido, uma recuperação da Bolsa pode ser apoiada no ambiente doméstico. A ata do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada hoje pelo Banco Central (BC), ainda não é consensual entre os agentes. Mas, de todo modo, deixa dúvidas sobre ajustes adicionais na taxa Selic, diante das elevadas e crescentes incertezas na economia internacional e dos sinais mais favoráveis para o cenário de inflação - ambos apontados pelo Comitê, no documento.

No noticiário corporativo, enquanto aguardam a divulgação do balanço financeiro da Vale, que deve novamente apresentar números trimestrais robustos, os investidores devem repercutir o aumento da participação da CSN em Usiminas. Ontem, a siderúrgica de Volta Redonda (RJ) informou que elevou a fatia na companhia mineira, para 10,84% das ações ON e 10,20% dos papéis PN. Pela Lei das S/A, a CSN já teria direito a uma vaga no Conselho de Administração da Usiminas.

Mas, na avaliação de Galdi, a presença da CSN no Conselho da Usiminas seria como um "intruso na sala". "Fica um mal-estar, porque a CSN não vai poder opinar sobre decisões da Usiminas nem participar de reuniões estratégicas, já que é uma concorrente", diz.

Além da Vale, também são esperados para hoje os números trimestrais da Embraer, que devem vir mais fracos, segundo instituições consultadas pela Agência Estado.

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