Bovespa abre em alta, mas fica refém do vencimento

O dia do vencimento de opções sobre ações na Bovespa está começando bem, mas é bom lembrar que a briga entre comprados e vendidos pode deixar o mercado volátil. O Ibovespa à vista abriu em alta e subia 0,66% às 11h09, na máxima, a 38.302 pontos, reagindo não apenas ao ambiente externo positivo e às notícias domésticas favoráveis, entre elas o crescimento de seis pontos porcentuais (23%) do governador Geraldo Alckmin na pesquisa Datafolha sobre as intenções de voto para a Presidência da República. O presidente Lula aparece na pesquisa praticamente estável, com 42% das preferências. Também repercute bem nos negócios esta manhã a notícia de que a China não vai interferir nas negociações sobre o reajuste dos preços do minério de ferro entre as siderúrgicas nacionais e os principais fornecedores mundiais da commodity. Essa mudança de posição pode se refletir nas cotações dos papéis da Vale do Rio Doce, que foram bastante castigados na semana passada pelas notícias de que a China estaria disposta a intervir nessas negociações. Vale PNA acumula neste mês queda de 6%. Junto com Petrobras, Vale é o segundo papel mais demandado no vencimento de opções hoje, desbancando Telemar, cujos negócios estão perdendo impulso. Do lado corporativo, a confirmação do Bradesco de que assumirá as operações da American Express no Brasil, anunciada hoje cedo, pode ter reflexos nas ações do banco. Da mesma forma, o balanço de 2005 de Transmissão Paulista, que teve lucro líquido de R$ 468,277 milhões, crescimento de 34,26% ante 2004. Na mesma base de comparação, a receita operacional líquida aumentou 9,76%, para R$ 1,205 bilhão. Sob o ponto de vista macroeconômico, não há motivos de preocupação. A pesquisa Focus, como disse um operador, " nunca veio tão em linha com a ata". As expectativas para a inflação são de queda e para a taxa Selic o mercado espera a continuidade de corte gradual do juro. Os dois índices de inflação divulgados hoje - a segunda quadrissemana do IPC-Fipe (0,26%) e a segunda prévia do IGP-M (-0,10%) - vieram em linha com as estimativas de mercado. O que pode manter o mercado mais cauteloso são os desdobramentos do caso Palocci. Por ora, tudo indica que o governo vai manter a blindagem do ministro da Fazenda. Ao contrário do que se temia, o noticiário de final de semana não trouxe novas denúncias sobre o assunto. O mercado avalia como "melancólica" a situação do ministro. Do lado externo, o dado mais aguardado desta segunda-feira é indicador antecedente de fevereiro da Conference Board, que sai às 12h nos EUA, e que deve ajudar a medir o vigor da atividade econômica faltando pouco mais de uma semana para a reunião do Fomc (comitê de mercado aberto). O outro evento importante do dia, mas que só deverá ter repercussão nos preços dos ativos amanhã cedo, é o pronunciamento do presidente Federal Reserve (Fed, o BC americano), Ben Bernanke, que fala às 21 horas, em evento no Economics Clubs de Nova York, sobre a curva de juros e a política monetária.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.