Bovespa abre em baixa com vencimento de índice

Em dia de vencimento de opções sobre índice futuro e de decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) sobre os juros básicos da economia brasileira, a Bovespa volta a ter uma pregão marcado, como diz o ditado, com "uma martelada no cravo e outra na ferradura". O sinal negativo que prevalece nos mercados internacionais nesta quarta-feira, 17, combinado com relatórios de produção das blue chips OGX e Vale tendem a firmar a direção em baixa dos negócios locais. Por volta das 10h10, o Ibovespa caía 1,22%, aos 53.331,54 pontos.

OLÍVIA BULLA, Agencia Estado

17 de abril de 2013 | 10h17

Em comentário diário, o economista da Órama Investimentos, Álvaro Bandeira, faz uso do provérbio popular para classificar o comportamento volátil da Bolsa no início desta semana, quando ontem se recuperou (+1,97%) após uma queda forte na sessão anterior (-3,66%). "Nada que deixe otimista", ponderou.

Para ele, a Bolsa é influenciada por dois fatores específicos, que podem mudar o humor dos investidores e com desfecho somente a partir da sessão de amanhã. "Hoje temos o vencimento de índice futuro para o prazo de abril, com forte posição vendida, e em seguida a decisão do Copom sobre a política de juros, com consenso dividido entre alta de 0,25pp e 0,50pp", comenta.

O economista refere-se às apostas no mercado futuro de juros e entre economistas sobre o início do ciclo de aperto da taxa Selic, após declarações recentes da equipe econômica e da presidente Dilma Rousseff, além da aposta dos investidores estrangeiros na queda do Ibovespa, no mercado futuro.

Dados atualizados pela BM&FBovespa mostram que houve um ligeiro ajuste de aproximadamente -6 mil contratos em aberto na estratégia dos "gringos" entre ontem e o dia anterior, mas com a posição vendida ainda elevada, ao redor de 160 mil contratos em aberto. Para um operador, o "vendido vai se dar bem" no exercício de hoje, já que no mais recente vencimento, em fevereiro, o Ibovespa à vista estava em 58 mil pontos. "É uma diferença grande, de quase 5 mil pontos em relação à pontuação de hoje", comenta.

Segundo o chefe da mesa de renda variável de uma corretora paulista, as opções de compra (call) estão concentradas entre os 57 mil e os 58 mil pontos, ao passo que as opções de venda (put) estão divididas entre os 52 mil e os 54 mil pontos. "Quem imaginava a Bolsa nesse patamar dois meses atrás?", indaga. Por, isso, aponta o profissional, é importante verificar em quanto essa estratégia dos investidores estrangeiros será rolada ou zerada. "Só assim para saber se a Bolsa vai conseguir andar", completa.

Por enquanto, a direção está mais suscetível para baixo do que para cima. "A Bolsa não seguiu os mercados no exterior na alta, mas vai acompanhar na queda", prevê o operador citado mais acima. Ainda por volta das 10h10, o futuro do S&P 500 caía 0,76%, nesse dia de agenda econômica mais fraca nos Estados Unidos, que traz apenas a divulgação do Livro Bege às 15 horas, deslocando as atenções para a safra de balanços entre as empresas norte-americanas.

Como pano de fundo, persiste o pessimismo com os dados econômicos negativos anunciados nos últimos dias - tanto nos EUA, quanto na China e na zona do euro - combinado com a piora das previsões econômicas globais do Fundo Monetário Internacional (FMI). Logo mais, às 10 horas, o Fundo divulga seu relatório Estabilidade Financeira Global.

No noticiário corporativo, as atenções se voltam para os dados de produção da Vale no primeiro trimestre deste ano, previstos para serem divulgados hoje. Ontem à noite, a OGX publicou os números sobre a produção de óleo e gás natural em março e, durante as negociações no after market, os papéis ON fecharam no limite de baixa, valendo R$ 1,38.

Pão de Açúcar também volta ao radar com suas assembleias-gerais ordinária e extraordinária e com o julgamento, pelo Conselho Administrativo de Defesa da Concorrência (Cade), da fusão da rede varejistas com a Casas Bahia e o Ponto Frio. Segundo apurou o Broadcast, o Grupo Pão de Açúcar terá de vender lojas próprias e das outras duas empresas em cerca de 50 municípios localizados, principalmente, no eixo Rio de Janeiro e São Paulo.

E as ações do Banco do Brasil podem reagir à retomada, hoje, da oferta pública inicial de ações da BB Seguridade, após a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) ter revogado a suspensão da operação por irregularidades no material publicitário. A informação de que a BB Seguridade retomaria a oferta foi antecipada ontem pelo Broadcast. A nova data de precificação das ações será 25 de abril, com o início das negociações das ações na Bolsa previsto agora para 29 de abril.

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