Bovespa abre em forte alta com euforia externa

  Anúncio de medidas de curto prazo para resgatar a zona do euro, no final do primeiro dia de cúpula, anima investidores

Olivia Bulla, da Agência Estado,

29 de junho de 2012 | 10h17

A Bovespa abre o pregão desta sexta-feira em alta acelerada, com o intuito de salvar ao menos o mês de junho, já que as perdas acumuladas no segundo trimestre e no primeiro semestre de 2012 não devem ter mais defesa. A grata surpresa ao final do primeiro dia da cúpula da União Europeia (UE), com o anúncio de medidas de curto prazo para resgatar a zona do euro anima os investidores pelo mundo, engatando um rali entre os ativos de risco nesta reta final de período. Às 10h07, o Ibovespa subia 2,40%, aos 53.916,89 pontos, na máxima após abertura.

"Hoje vai ser um dia bom para trabalhar", comenta um chefe da mesa de renda variável de uma corretora paulista, que falou sob a condição de não ser identificado. Para ele, é possível que a Bolsa "salve" pelo menos o desempenho em junho, diante das perdas de pouco mais de 3% acumuladas até ontem. "Pelo o que se vê na Europa e em Nova York, é possível", diz.

No horário acima, as bolsas de Paris e de Frankfurt disparavam 3,70% e 3,60%, sendo que os mercados em Madri e em Milão arrancavam altas de 4,15% e de 4,60%, respectivamente. Já em Wall Street, o futuro do S&P 500 subia 1,80%.

Já a melhora da performance da Bolsa no trimestre compreendido a partir de abril, com queda de mais de 18% no período, e no acumulado dos seis primeiros meses de 2012, com desvalorização de pouco mais de 7%, fica para depois. "Talvez para julho, se a Europa seguir no mesmo tom", avalia.

O profissional refere-se às inesperadas decisões tomadas pelos líderes dos 27 países europeus que surpreenderam positivamente os mercados financeiros internacionais. Entre outras coisas, a União Europeia E anunciou que será criado um órgão supervisor comum para os bancos, que permitirá a recapitalização direta das instituições financeiras via o fundo de resgate permanente europeu (ESM).

Essa decisão aliviou a pressão sobre os custos de financiamento da Espanha e da Itália, promovendo uma queda livre dos yield (retorno ao investidor) dos bônus de 10 anos desses países. Houve, ainda, um acordo para liberar 120 bilhões de euros em recursos a fim de estimular projetos de infraestrutura e gerar emprego, combatendo a recessão.

Nos Estados Unidos, os investidores digerem os dados que mostraram estabilidade nos gastos com consumo em maio, mas alta de 0,2% na renda pessoal. Ambos conforme o esperado. Logo mais, saem números sobre a atividade em regiões norte-americanas e a confiança do consumidor.

Por aqui, levantamento feito pela Economatica a pedido da Agência Estado mostra que o desempenho da Bolsa neste trimestre pode ser o pior para o período desde 1998, enquanto a queda no primeiro semestre caminha para ser a mais acentuada entre os meses de janeiro a junho desde 2011.

Além do cenário externo, uma recuperação da Bolsa paulista também passa pelo retorno do apetite mais voraz dos investidores estrangeiros e da confiança nas empresas brasileiras. Para operadores, que também falaram sob a condição de não serem identificados, é possível que as ações das empresas do Grupo EBX, de Eike Batista, entrem no "oba-oba" dos negócios nestasexta-feira.

A queda do presidente da OGX, Paulo Mendonça, como resposta do bilionário empresário à derrocada das ações, também pode trazer certo alento. Segundo cálculos de profissionais do mercado, o tombo de quase 40% das ações da OGX nos últimos dos dias é responsável pela retração de cerca de 1% do Ibovespa no mesmo período.

Ainda de acordo com a Economatica, na soma das seis empresas "X", o recuo no valor de mercado é de R$ 13,274 bilhões em dois dias, desde que o mercado ficou ressabiado quanto ao potencial de negócios dessas empresas.

Tudo o que sabemos sobre:
BovespaEuropaabertura

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.