Bovespa abre em queda acelerada puxada pelo Fed

Por volta das 10h10, o Ibovespa caía 2,03%, aos 46.920,26 pontos, na mínima do dia

Olívia Bulla, da Agência Estado,

20 de junho de 2013 | 10h26

A queda de mais de 3% da Bovespa ontem foi só o começo da reprecificação dos ativos de risco globais. Os mercados financeiros no mundo ainda ecoam nesta manhã as declarações do presidente do Federal Reserve (Fed), Ben Bernanke, feitas na tarde desta quarta-feira, 19, que provocaram uma debandada (sell off) entre os investidores em busca de proteção. A percepção é de que os países emergentes são os mais afetados pela decisão do Banco Central dos Estados Unidos de acabar com os estímulos monetários até meados de 2014. Dessa forma, a queda do ritmo da indústria na China para o nível mais baixo em nove meses tende a agravar ainda mais a já deteriorada performance doméstica. Por volta das 10h10, o Ibovespa caía 2,03%, aos 46.920,26 pontos, na mínima do dia.

O analista sênior da Renascença Corretora, Luiz Roberto Monteiro, avalia que a Bolsa está sendo triplamente castigada, com os efeitos do cenário econômico nos Estados Unidos e na China na renda variável brasileira sendo potencializados pelos fatores internos, que têm trazido incertezas aos negócios. "Tudo o que o Fed vai fazer é contra os emergentes", diz.

Ele se refere ao plano estabelecido pelo BC norte-americano de reduzir as compras mensais de bônus ainda neste ano, dando continuidade a esse movimento ao longo do primeiro semestre de 2014. Além disso, a melhora nas previsões para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA e também para a taxa de desemprego do país alimentam um apetite por dólar e Treasuries.

Nesse fuga para qualidade, a reacomodação dos recursos pressiona os ativos domésticos, deixando a taxa de câmbio ainda mais pressionada e desestabilizando as taxas de juros futuros. Nesta manhã, o BC brasileiro já anunciou um leilão de swap tradicional, depois de bater R$ 2,249 na cotação máxima nesta manhã, no mercado de balcão. Na curva a termo, já está precificada um aperto maior, de pelo menos 0,75 ponto porcentual, na taxa básica de juros (Selic) na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) no mês que vem.

Na opinião de um operador da mesa de renda variável de uma corretora paulista, tudo indica que o "buraco é mais baixo" e, depois de ter atingindo o menor patamar desde abril de 2009, a Bolsa ainda pode buscar níveis mais baixos, ao redor dos 45 mil pontos, inicialmente. "Quando é pânico, não adianta tentar fugir. O investidor vai tentar se proteger."

Ainda que haja exageros, o noticiário do dia tampouco ajuda, após a rodada de indicadores, que começou na China e que pode refletir no desempenho das ações da Vale. No exterior, os papéis das mineradoras têm queda acelerada.

O índice PMI de atividade industrial dos gerentes de compras, medido pelo HSBC, caiu de 49,2 em maio para 48,3 em junho, segundo leitura preliminar. Trata-se do nível mais baixo em nove meses. Na Ásia, o índice Hang Seng, em Hong Kong, caiu 2,9%, ao passo que o índice Xangai Composto perdeu 2,8%, encerrando no menor nível desde dezembro do ano passado. Na Austrália, a Bolsa de Sydney caiu 2,1%, na maior perda porcentual desde maio de 2012.

Por sua vez, o índice PMI composto da zona do euro serviu para atenuar o mau humor, na primeira reação das praças financeiras europeias ao Fed, mas não para impedir a disparada da aversão ao risco. Já em Wall Street, o futuro do S&P 500 caía 1,00%, também às 10h10, ainda em reação à política monetária dos EUA e já digerindo o aumento nos pedidos semanais de auxílio-desemprego feitos no país, para 354 mil, ante previsão de leve alta a 340 mil. O dado da semana anterior foi revisado em baixa. Além disso, o índice de atividade PMI do setor industrial dos EUA cai a 52,2 em junho, na leitura preliminar, de 52,3 em maio.

Logo mais, às 11 horas, é a vez das vendas de moradias usadas e do índice de indicadores antecedentes no país, ambos referentes ao mês de maio. Na Europa, também às 11 horas, será divulgado o índice de confiança do consumidor neste mês. Além disso, os ministros de Finanças da zona do euro (Eurogrupo) reúnem-se a partir das 10 horas.

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