Paulo Whitaker/Reuters
Paulo Whitaker/Reuters

Bolsa tem 8ª alta seguida e ganhos superam os 7%

Com dia volátil, índice Bovespa subiu 0,18% e atingiu novo pico no ano; dólar avançou 0,24%, cotado a R$ 3,26, mas teve perdas de 0,89% na semana

Paula Dias, Lucas Hirata, O Estado de S.Paulo

15 Julho 2016 | 11h21

O movimento de aversão a risco no exterior com o atentado em Nice, na França, e a volatilidade dos preços do petróleo fizeram a Bovespa ter um dia volátil nesta sexta-feira, 15, mas fechar em leve alta de 0,18%, no oitavo dia seguido de ganhos, que acumulam 7,21%. O dólar acompanhou a divisa no exterior e fechou também em alta, avançando 0,24%, cotado a R$ 3,2672. Na semana, porém, a moeda recuou 0,89%.

A Bolsa reduziu o ímpeto ao final da semana e teve volatilidade no último pregão da semana. Ao fim dos negócios, o Índice Bovespa voltou ao terreno positivo e fechou em alta de 0,18%, aos 55.578,23 pontos. Com isso, galgou novo pico no ano, situando-se no maior nível desde 18 de maio (56.204 pontos).

O mercado iniciou o dia em baixa, refletindo a postura mais conservadora dos investidores diante do atentado em Nice, que gerou perdas nas bolsas europeias e fortaleceu o dólar frente a moedas emergentes. Os preços do petróleo enfrentaram volatilidade e contribuíram para o movimento vendedor. Por outro lado, dados positivos da economia americana vieram acima do previsto e incentivaram uma alta pontual na Bovespa. A produção industrial subiu 0,6% em junho ante maio, acima da previsão de +0,4%. As vendas no varejo cresceram 0,6% em junho ante maio, contra estimativa de alta de 0,1%.

A virada definitiva veio pouco depois das 15h, puxada por papéis dos setores financeiro e siderúrgico, além das ações preferenciais da Petrobras, que fecharam em alta de 0,82%, acompanhando a consolidação da alta dos preços do petróleo. As ordinárias, preferidas pelos investidores estrangeiros, continuaram em terreno negativo e tiveram baixa de 0,75%.

"O dia parecia que seria de realização de lucros, e o atentado na França era o argumento perfeito para isso. Mas o mercado digeriu esse fator e voltou a prevalecer a melhora do cenário interno", disse Paulo Figueiredo, diretor de operações da FN Capital. "Permaneceu a expectativa positiva com a economia brasileira, renovada pela vitória de um aliado do governo na eleição do novo presidente da Câmara. O mercado acredita que o governo terá mais força no Congresso", afirmou.

Entre as ações que fazem parte do Ibovespa, a maior alta foi de Cesp PNB, que disparou 18,82%, com diversos leilões ao longo da sessão. A valorização foi gerada pela expectativa de privatização da elétrica paulista. Usiminas PNA foi a segunda maior alta do índice (+8,29%), em resposta ao acordo para prorrogar débitos com credores. Com o resultado de hoje, o Ibovespa acumula ganho de 7,86% no mês e de 28,21% no ano. Na semana, a alta foi de 4,59%. O volume de negócios no dia foi de 6,88 bilhões, pouco acima da média diária de julho (R$ 6,48 bilhões).

Dólar. O dólar oscilou entre perdas e ganhos ao longo de toda a sessão, mas se firmou em alta nos minutos finais do pregão. Os momentos de queda, principalmente pela manhã, foram conduzidos pela expectativa de ingresso de recursos no País, em meio ao cenário internacional de liquidez elevada. No entanto, prevaleceu no fechamento do câmbio doméstico a influência do avanço generalizado da moeda no exterior. O giro total ficou em US$ 1,533 bilhão, de acordo os registros da clearing da BM&FBovespa. Na semana, a moeda teve perdas de 0,89%.

A alta no exterior foi sustentada por dados norte-americanos positivos e pela cautela gerada pelo ataque em Nice. Entre os números positivos dos Estados Unidos, as vendas no varejo cresceram em junho acima do que os analistas esperavam, assim como a produção industrial. Já a inflação ao consumidor acelerou 0,2% no mesmo mês, em linha com a previsão. O Dollar Index avançava 0,58%, aos 96,638 pontos, no final do dia.

Internamente, a expectativa de ingresso de capital estrangeiro no País limitou a alta do dólar. Com a liquidez elevada no cenário internacional, os participantes do mercado vislumbram que o Brasil consiga atrair parte desses recursos, uma vez que os juros nacionais, com Selic em 14,25%, destoam do cenário de juros negativos em economias desenvolvidas.

Por volta das 17h30, o mercado internacional reagiu à informação das Forças Armadas da Turquia de que os militares tomaram o controle do governo para "restabelecer a ordem constitucional". Em resposta, houve forte queda da lira ante o dólar. O primeiro-ministro do País, Binali Yildirim, diz que há uma tentativa de golpe em andamento e que os responsáveis pagarão caro por isso.

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