Bovespa abre março sem perder marcha de recordes

O upgrade concedido ontem pela S&P para a dívida brasileira e a alta das bolsas em Nova York levaram a Bovespa a iniciar o mês de março com recorde de pontuação. Foi o 14º recorde de 2006. O volume financeiro ficou aquém da média diária deste ano. Mas as perspectivas para o mercado de ações este ano aliadas a mais uma forte queda do risco Brasil ajudaram a bolsa a manter-se no azul. O Índice Bovespa fechou em alta de 1,47%, com 39.177 pontos. Operou entre a máxima de 39.203 pontos (+1,54%) e a mínima de 38.533 pontos (-0,20%). Com esse resultado, a bolsa inicia março em alta e passa a acumular valorização de 17,10% em 2006. O movimento financeiro ficou em R$ 1,721 bilhão. O giro de negócios foi fraco na bolsa, como geralmente acontece na quarta-feira de Cinzas. E o upgrade da S&P já era esperado pelos operadores. Mesmo assim, a Bovespa surpreendeu com um comportamento bastante positivo. Esperava-se, antes da abertura dos negócios, que o mercado de ações realizasse lucros "no fato" (upgrade) e se ajustasse às quedas das bolsas em Nova York durante o feriado do carnaval. Essa realização chegou a acontecer na primeira hora do pregão desta quarta-feira. Mas teve pouco intensidade e durou muito pouco. Ao longo da tarde, Wall Street emendou um ritmo de alta consistente e acabou refletindo positivamente na bolsa paulista. Ou seja, o ajuste a Nova York não se confirmou e, segundo operadores, alguns investidores estrangeiros teriam aproveitado o upgrade da S&P para comprar ações. "O upgrade da Standard & Poor's abriu espaço para novas melhoras de avaliação do risco Brasil. E isso cria um ambiente ainda mais favorável para o capital externo", disse um operador. Em Londres, segundo reportagem do correspondente João Caminoto, os estrategistas de câmbio do HSBC alertaram seus clientes que a agência de classificação Moodys deverá também elevar o rating do Brasil muito em breve. Por aqui, segundo a repórter Rita Tavares, o Unibanco revisou a expectativa de corte da taxa Selic de 0,75 ponto porcentual para 1,0 ponto porcentual na próxima reunião do Copom. Essa revisão veio no rastro da decisão da Standard and Poor's de elevar o rating do Brasil para "BB", com perspectiva estável. De acordo com operadores, esse quadro benéfico para a economia brasileira deverá manter o mercado doméstico atrativo para o capital externo. Além disso, algumas instituições estrangeiras só estariam esperando um upgrade do rating brasileiro para alocar recursos na Bovespa. "Essa expectativa contribuiu para a alta da bolsa hoje", disse um operador. Em Nova York, o Dow Jones fechou em alta de 0,55%, o Nasdaq avançou 1,46% e o S&P 500 subiu 0,83%. O risco Brasil, por sua vez, caía 6 pontos para 215 pontos base no final da tarde. Entre os papéis que compõem o Índice Bovespa, as maiores altas foram Eletropaulo PN (+5,53%), Comgás PNA (+5,05%) e Usiminas PNA (+5,00%). As maiores baixas foram Light ON (-2,40%), Vale ON (-2,25%) e Sadia PN (-2,21%).

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