Bovespa acompanha NY e recua

Telefónica confirmou que fechou acordo com a Portugal Telecom (PT), para comprar sua participação da Vivo por 7,5 bilhões de euros

Beth Moreira, da Agência Estado,

28 de julho de 2010 | 12h11

O movimento de consolidação no setor de telecomunicações brasileiro provocou reações opostas nas ações das empresas envolvidas, principalmente por causa dos retornos aos acionistas que tais operações envolvem. Há pouco, na Bovespa, Vivo PN subia 4,19%, a R$ 48,26, após bater a máxima a R$ 48,83 (+5,42%), puxando a fila das maiores altas do Ibovespa por volta das 11h50 horas, enquanto Telemar (TNLP) ON despencava 10,00%, a R$ 37,71, no topo das maiores baixas do índice à vista, seguida de perto por Telemar PN, com -7,29%. No mesmo momento, o Ibovespa registrava queda de 0,18%, aos 66.554 pontos.

 

Hoje, a espanhola Telefónica confirmou que fechou acordo com a Portugal Telecom (PT), para comprar sua participação da Vivo por 7,5 bilhões de euros. A PT, por sua vez, comprou 22,4% de participação na Oi, em um pagamento máximo de R$ 8,44 bilhões.

 

Para a chefe de analise da Spinelli Corretora, Kelly Trentin, as ações da Telemar procuram se ajustar ao preço fixado para o aumento de capital previsto no acordo com a PT. "A subscrição saiu a preços menores que os vistos no fechamento de ontem", acrescenta. As ações da ON da Oi  (TNLP) serão subscritas a R$ 38,54, ante cotação de R$ 41,90 alcançada no fechamento de terça-feira. Já os papéis da Tmar PNA fecharam o pregão de ontem cotadas a R$ 52,50 e serão subscritas a R$ 50,70.

 

Outro analista, que falou sob a condição de não ser identificado, lembra que a queda de hoje pode ser uma ajuste em relação as altas registradas nos últimos dias, na expectativa de o negócio ser concretizado. O analista do setor do BB Investimentos, Leonardo Nitta, concorda que a Oi já vinha subindo muito desde maio, em meio aos rumores sobre eventuais alterações na composição acionária da empresa e, confirmada a operação, realiza lucros.

 

Outro ponto que frustrou o mercado diz respeito à expectativa de que a entrada da PT na Oi significasse uma guinada no que diz respeito à governança da empresa, o que não deve ocorrer, já que os portugueses terão participação no bloco de controle da operadora, o que mostra que estão alinhados com os principais acionistas atuais.

 

Já a analista Rosângela Ribeiro, da SLW Corretora, avalia que o ingresso da companhia portuguesa na Oi ajudará na questão do endividamento da companhia, que atingiu R$ 21,3 bilhões de dívida líquida no primeiro trimestre deste ano.

 

Em todo caso, os especialistas consultados veem de forma positiva as movimentações anunciadas hoje, porque dão continuidade à consolidação que já vinha sendo verificada no setor e dissolvem o imbróglio que vinha prejudicando o

desempenho das empresas no médio prazo.

 

Vivo

 

Já a compra da participação da PT na Vivo pela espanhola Telefónica foi bem recebida pelo mercado. Analistas citam, principalmente, o aumento da oferta para 7,5 bilhões de euros. Segundo Nitta, do BB Investimentos, as ações ON da operadora brasileira de telefonia móvel estão subindo por causa de um ajuste para cima no preço dos papéis diante do tag along de 80% que será pago aos acionistas minoritários.

 

Segundo o chefe de análise da Modal Asset Management, Eduardo Marques Roche, a expectativa agora é de que aconteça uma nova configuração da Telefônica no Brasil. "A previsão é de que ocorra uma fusão entre Vivo e Telesp, operação com grande potencial de sinergias", afirma. O profissional acrescenta, que apesar de não saber como esse desenho será feito, o negócio é positivo no curto prazo para tanto para Telesp, quanto para a Vivo.

 

A analista da Spinelli acrescenta que, além da operação, as ações da Vivo reagem positivamente hoje ao balanço financeiro do segundo trimestre. A especialista destaca o aumento da base de clientes pós-pago e o aumento da receita por usuário do pós-pago registrado no período. "Outro ponto favorável é o aumento de 10% na receita líquida total, que foi impulsionada pela evolução de 72% da receita de dados (internet móvel)", destaca.

 

TIM

 

Tanto a analista da SLW quanto o profissional do BB acreditam que agora o próximo alvo de compra é a TIM, que "fica solta" no setor. "A TIM virou o próximo alvo no setor, mas é difícil saber quem poderia ter interesse na empresa", comenta Nitta, do BB, ressaltando que a situação da operadora de telefonia também é complicada, por causa da controladora Telecom Itália. Rosângela, da SLW, comenta que a concorrência no setor tende a ficar ainda mais acirrada, por causa da grande concentração de players, e o mercado começa a precificar uma eventual proposta de compra pela TIM. Às 12h15,

TIM ON registrava estabilidade e TIM PN subia 0,82%.

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