Bovespa avança na abertura e otimismo deve continuar

A euforia que tomou conta do mercado ontem não deve se repetir, mas o clima de otimismo persiste, apesar de o núcleo (que exclui os preços de energia e alimentos) do índice de preços ao consumidor de março (CPI) nos Estados Unidos ter superado as previsões, o que está puxando para cima os juros dos títulos do Tesouro norte-americano (treasuries). O núcleo do CPI subiu 0,3% ante estimativa de 0,2%, mas o índice cheio veio em linha (+0,4%). O Ibovespa (principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo, Bovespa) futuro desacelerou a alta para 0,52%, após o dado. Às 10h13, a Bovespa subia 0,42%, aos39.739 pontos. O rendimento do juro do título do Tesouro dos EUA de 10 anos que vinha na faixa de 4,96% voltou a beirar os 5% ao ano (estava em 4,98%). Segundo analistas, o dado do CPI pode favorecer alguma realização de lucros pontual, mas o PPI, índice de preços ao produtor, de ontem, e o conteúdo positivo da ata do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC), que sinalizou na terça-feira que o aperto monetário está perto do fim, deve se sobrepor ao PPI. A alta das bolsas em Wall Street está com jeito de que deve continuar, sustentado pelos balanços divulgados entre ontem à noite e hoje de manhã, o que pode manter o fôlego da Bovespa. Pfizer, JP Morgan, Coca-Cola, Honeywell, United Technologies, Yahoo! e IBM estão entre as empresas que anunciaram resultados favoráveis. Após o fechamento do pregão saem os números da Apple, Intel e e-Bay. As bolsas européias, por sua vez, estão se ajustando à valorização das bolsas norte-americanas na véspera. Em Londres, o ganho é impulsionado pelas ações de companhias de mineração e petrolíferas. Após o aumento recorde da terça-feira, o petróleo hoje está realizando lucros, mas ainda assim o preço segue acima de US$ 70 o barril e pode oscilar, reagindo aos dados de estoques de petróleo e derivados, que saem às 11h30. A expectativa com o resultado da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) pode manter os investidores mais cautelosos, embora a maioria espere nova queda na taxa básica de juro de 0,75 ponto porcentual. Do lado da inflação, o quadro não poderia ser melhor. Os dois indicadores divulgados hoje cedo vieram abaixo do piso das previsões. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) da segunda quadrissemana teve deflação de 0,06% e o IGP-10 de abril caiu 0,65%. O risco Brasil segue em baixa e por volta das 10 horas estava em 228 pontos- base.

Agencia Estado,

19 Abril 2006 | 10h15

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