Bovespa cai 1,6% na esteira do clima externo ruim

O clima externo desfavorável na volta do feriado nos EUA é o pretexto para a Bolsa de Valores de São Paulo realizar lucros hoje, isto é, os investidores começaram o pregão vendendo ações com que embolsaram ganhos nos últimos dias. O índice Ibovespa atingiu a mínima de -1,68% (36.739 pontos) logo nos primeiros quinze minutos (o pregão regular começa às 10 horas). O mercado começou o dia reagindo negativamente aos testes de lançamentos de mísseis feitos pela Coréia do Norte, o que deu origem a nervosismo de natureza geopolítica. Mas o que está pesando mais é a pesquisa divulgada esta manhã nos EUA da ADP-Macroeconomic Advisers, que prevê a criação de 368 mil vagas de trabalho em junho no país. Economistas ouvidos pela agência Dow Jones esperavam um número muito menor, de 170 mil vagas. Após esse número forte de criação de empregos nos EUA aumentou o receio de que o relatório oficial de emprego (chamado de "payroll"), que será divulgado na sexta-feira, apresente um número muito acima do esperado. Dessa forma, também cresce a expectativa de elevação dos juros nos EUA por um período mais longo que o previsto. Na Europa, a bolsa de Londres cedia 0,71% e a de Frankfurt -1,25%. Como a Bovespa acumula valorização de 2% nos dois primeiros pregões do mês e de 11,7% no ano, há espaço para uma realização de lucros hoje. Analistas acham que a Bovespa pode cair sem comprometer a tendência de alta de curto prazo que vem prevalecendo desde a semana passada. O fluxo de capital externo na Bovespa também continua no foco, especialmente o que será divulgado hoje, referente ao primeiro pregão de julho, o dia 3. Junho fechou com uma saída líquida de R$ 2,26 bilhões de capital externo, a maior perda registrada desde janeiro de 2004, mês a partir do qual há dados disponíveis no site da Bovespa. O resultado de junho também superou o déficit de R$ 1,515 bilhão registrado em maio deste ano. A Comissão de Valores Mobiliários liberou ontem à noite a reabertura das negociações com ações ON da Arcelor a partir de hoje, por considerar que a suspensão por mais tempo seria prejudicial para os investidores. O papel estava suspenso desde o dia 29 de junho, à espera de explicações sobre a negociação de fusão com a Mittal, no âmbito internacional.

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