Bovespa cai 2,44%, maior baixa desde 12 de novembro

A decisão da China de restringir a oferta de crédito, tomada em seguida a dois aumentos consecutivos de juros nos títulos de um ano do país, se uniram hoje às preocupações com pelo menos três economias europeias - Grécia, Espanha e Portugal - gerando uma fuga dos investidores rumo a ativos de menor risco, como dólar e títulos norte-americanos. Como consequência, a Bolsa brasileira, que tem na China seu atual maior parceiro comercial, sucumbiu à maior queda porcentual desde 12 de novembro do ano passado. Prova da venda maciça de papéis foi o salto no giro financeiro, que hoje subiu 33%, para R$ 7,5 bilhões, ante o volume de R$ 5,6 bilhões de ontem.

TAÍS FUOCO,

20 Janeiro 2010 | 19h04

O principal índice da Bolsa brasileira, o Ibovespa, recuou hoje 2,44%, aos 68.200,07 pontos, depois de retornar ao patamar de 67 mil pontos na mínima do dia (67.546,34 pontos) e na máxima de 69.901,39 pontos. Em janeiro, o Ibovespa acumula perda de 0,57%. "Como o mercado vem com tendência de alta firme há bastante tempo, qualquer notícia negativa torna o mercado extremamente sensível", salientou Max Bueno, analista da Spinelli Corretora.

A aversão ao risco contaminou os preços de matérias-primas (commodities), como metais e petróleo, afetando diretamente as blue chips da Bovespa (Vale e Petrobras). No caso da Vale, cujo papel PNA acumulava até ontem alta de quase 12% em janeiro, a queda hoje foi de 1,78%, para R$ 46,41, enquanto a ação ordinária (ON) perdeu 2,73%, a R$ 53,45.

A Petrobras acompanhou o movimento, diante da queda forte dos preços dos contratos futuros de petróleo no mercado internacional. A ação ON teve queda de 2,75%, a R$ 39,55, enquanto a preferencial perdeu 2,56% (R$ 35,45). Na Bolsa Mercantil de Nova York (Nymex, na sigla em inglês), o contrato do petróleo com vencimento em fevereiro teve recuo de 1,77%, a US$ 77,62.

Nos Estados Unidos, o número de novas construções residenciais decepcionou, assim como os balanços trimestrais de Morgan Stanley e Bank of America (BofA), pela manhã. As Bolsas de Nova York chegaram a ter a maior queda desde novembro. Perto das 18h25, o índice Dow Jones tinha queda de 1,21%, enquanto o S&P 500 tinha retração de 1,15% e a bolsa eletrônica Nasdaq caía 1,15%.

Na Europa, o mercado acompanha atento o desenrolar das dificuldades financeiras da Grécia e a fragilidade da economia de Portugal e Espanha. Há quem acredite na possibilidade, inclusive, de que esses países possam sair do regime de moeda única do bloco. As principais bolsas europeias fecharam em queda.

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