Bovespa cai e ameaça perder os 66 mil pontos

Às 12h07, o Ibovespa registrava baixa de 1,46%, aos 66.163 pontos

Beth Moreira, da Agência estado ,

27 de abril de 2011 | 12h40

Após uma abertura volátil, a Bovespa firmou-se no campo negativo, pressionada por papéis de empresas ligadas à commodities, que têm grande peso na Bolsa paulista. Os setores de mineração, siderurgia e petróleo puxam as baixas, enquanto Santander, Redecard e Braskem são destaques entre as altas.

Às 12h07, o Ibovespa registrava baixa de 1,46%, aos 66.163 pontos, após atingir a máxima de 67.228 pontos (+0,13%) e a mínima de 66.119 pontos (-1,53%). O giro financeiro era de R$ 2,56 bilhões, projetando R$ 9,01 bilhões no final do pregão. Em Nova York, o Dow Jones operava estável (0%), enquanto o S&P recuava 0,15%.

Para o chefe da área comercial de renda variável da Link Investimentos, Adriano Yamamoto, não há novidades no dia que justifiquem o movimento de baixa. "Acredito que o mercado está realizando com medo de questões mais macro, como a inflação no Brasil e a desaceleração da economia chinesa, no exterior", diz. Ele destaca que os setores de mineração, siderurgia e petróleo juntos são responsáveis hoje por mais da metade da queda do Ibovespa.

Usiminas PNA recua 3,45% e lidera as maiores desvalorizações do Ibovespa, lista na qual também aparece Usiminas ON, com recuo de 2,11%. Outras siderúrgicas também recuam: CSN (-1,87%), Gerdau (-1,42%) e Gerdau Metalúrgica (-1,36%).

Sobre a siderúrgica mineira, pesa o relatório negativo de um banco estrangeiro sobre a empresa. Hoje o Goldman Sachs rebaixou a recomendação dos papéis da siderúrgica de neutra para venda em função de visão de curto prazo mais cautelosa para os preços do aço e de sua menor expectativa em relação aos ganhos da siderúrgica.

No relatório, o banco ressalta a alta dos custos com matérias-primas, a queda nos preços internacionais do aço, os aumentos nos preços domésticos do insumo menores que o esperado e o real mais forte. O Goldman diz esperar mais dificuldade na implantação das altas nos preços internos do aço.

A lista de maiores baixas do índice figuram ainda PortX (-3,06%), OGX (-2,97%), Cosan (-2,62%), MMX (-2,40%), Klabin (-2,33%) e Fibria (-2,20%), as duas últimas devolvendo os ganhos dos últimos dias.

Vale PNA cede 1,54% e a ON da mineradora opera com perdas de 2,07%. Outra blue chip, a Petrobras, acompanha o movimento, com a PN recuando 1,53% e a ON cedendo 2,04%.

Bancos

Os bancos, que abriram o dia em alta, não resistiram ao movimento de realização e agora também operam em queda. Itaú Unibanco (-1,81%), Banco do Brasil (-1,67%) e Bradesco, que abriu hoje seus números do primeiro trimestre de 2011, cede (-1,82%).

O Bradesco divulgou nesta quarta-feira lucro líquido de R$ 2,702 bilhões no primeiro trimestre de 2011, considerando o padrão contábil brasileiro BR Gaap. O ganho é 9,5% menor em relação ao trimestre anterior e 28% acima do registrado no mesmo período de 2010. O crescimento anual foi puxado pelas operações de crédito, principalmente para pessoas jurídicas, e pela área de seguros. Destaque para os empréstimos para pequenas empresas, que cresceram 29%.

O banco também informou lucro ajustado de R$ 2,738 bilhões, alta de 27,5% em relação ao ganho ajustado dos primeiros três meses do ano passado. O retorno patrimonial considerando o ganho ajustado foi de 24,2%.

Em relatório divulgado hoje, o analista Francisco Kops, da Planner Corretora, avalia que em linhas gerais o resultado do Bradesco veio em linha com as expectativas do mercado. O profissional ressalta, no entanto, que embora o primeiro trimestre ainda não capture totalmente uma maior taxa de juros e as recentes medidas macroprudenciais impostas pelo governo, o resultado mostrou uma forte expansão da carteira de crédito (de 22%), acima da média prevista para o Brasil este ano (na faixa dos 15%).

Entre os bancos, a exceção fica por conta das units do Santander, que sobem 2,51%, liderando as altas do Ibovespa. Segundo operadores, a boa performance do papel hoje não passa de uma recuperação de perdas recentes e não está diretamente relacionada à expectativa de resultado. O banco anuncia amanhã seu balanço financeiro. Morgan Stanley lidera as compras do papel, seguido por Goldman Sachs.

Na escassa lista de altas de hoje, figuram ainda Redecard (+0,98%), CPFL (-0,37%), Braskem (+0,22%) e Eletropaulo PN 0,13%.

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