Bovespa cai e tenta segurar os 61 mil pontos

Eleição na França e números ruins de atividade econômica na zona do euro e na China desvalorizam ações

Renata Pedini, Agencia Estado

23 de abril de 2012 | 10h29

A Bovespa começa a semana em queda diante da elevada aversão ao risco no exterior por causa de preocupações com a atividade econômica na China e na Europa, onde também crescem as incerteza políticas. Com isso, a Bolsa deve testar suportes importantes, aproximando-se cada vez mais dos 60 mil pontos. O Ibovespa abriu em queda de 0,90%, abaixo dos 62 mil pontos. Às 10h13 já caia 1,80%, aos 61.371,19 pontos.

O analista gráfico da Ágora Corretora, Daniel Marques, espera que a Bolsa segure o suporte na faixa dos 61.300 pontos. "Se perder este nível podem haver vendas mais pesadas, com o índice à vista vindo abaixo e podendo testar 58.900", diz Marques, acrescentando que não acredita em uma queda tão forte somente hoje. "Vai ser um dia bem ruim", ressalta.

O exterior amanheceu pessimista após a derrota do presidente Nicolas Sarkozy no primeiro turno das eleições presidenciais na França para o candidato do Partido Socialista, François Hollande. A segunda etapa do pleito será em 6 de maio. Ainda no campo político, a Holanda também merece destaque com relatos de que o primeiro-ministro, Mark Rutte, deve renunciar depois do colapso das negociações sobre cortes no orçamento durante o fim de semana.

Na esfera econômica, indicadores divulgados mais cedo na zona do euro decepcionaram. A atividade privada da região registrou em abril a maior contração desde novembro e caiu para 47,7 na leitura preliminar do mês, de 49,1 em março. Ainda na região, o Banco Central da Espanha informou em seu relatório mensal que a economia do país teve contração de 0,4% no primeiro trimestre deste ano, em comparação com o quarto trimestre do ano passado.

Já na China, o índice de atividade industrial melhorou em abril, mas seguiu em terreno que indica contração da atividade pelo sexto mês consecutivo. Neste mês, o índice PMI composto do HSBC avançou para 49,1, de uma leitura final de 48,3 em março.

"A Bolsa reagirá aos mercados internacionais, que recuam com dados desapontadores na Europa, que dá sinais de mais desaceleração econômica do que o esperado. As eleições francesas também ajudam a trazer pessimismo aos investidores", afirma o analista da Um Investimentos Eduardo Oliveira em relatório. Ele lembra que a agenda de indicadores dos Estados Unidos está esvaziada nesta segunda-feira. Às 9h53, o futuro do S&P 500 caía 0,94%.

Internamente, a safra de balanços brasileira começa a ganhar força. Hoje, o Bradesco informou que registrou lucro líquido contábil de R$ 2,793 bilhões no primeiro trimestre de 2012, o que representa uma alta de 3,4% ante igual período do ano passado. O resultado ficou em linha com a média das previsões de cinco casas consultadas pela Agência Estado, cuja expectativa era de lucro de R$ 2,753 bilhões. Depois do fechamento do pregão, Usiminas anuncia seus resultados.

Vale lembrar que hoje é feriado estadual no Rio de Janeiro, o que deve reduzir um pouco o volume de negócios na Bovespa. "Sem volume as quedas não conseguem ser tão fortes", lembra o analista da Ágora, prevendo a fraca liquidez possa limitar as perdas do dia. A conferir.

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