Bovespa cai em meio a impasses políticos no exterior

Complicações nos EUA e na Europa afetam mercado local

Olívia Bulla, da Agência Estado,

22 de novembro de 2011 | 11h20

Depois de conseguir amenizar boa parte das perdas registradas na sessão de ontem e fechar com queda inferior a 1%, a Bovespa chegou a operar em alta pela manhã, no rastro de uma tentativa de melhora no exterior. Mas os crescentes impasses políticos nos dois lados do Atlântico Norte inibem uma recuperação mais contundente, e a definição dos negócios deve ficar a cargo da agenda econômica do dia. Perto das 13 horas, o Ibovespa já havia migrado para o campo negativo, em baixa de 0,17%, aos 56.188 pontos.

"Os investidores seguem na defensiva com o cenário macroeconômico mundial", afirma, em relatório, o analista da Um Investimentos Eduardo Oliveira. Segundo ele, os mercados internacionais tentam respirar aliviados nesta manhã após as agências de classificação de risco Moody''s e Standard & Poor''s afirmarem que a falta de acordo sobre o déficit nos EUA não afeta o rating soberano do país, em Aaa e AA+, respectivamente.

Ontem à noite, o Comitê Bipartidário do Congresso dos EUA admitiu o fracasso na busca por um acordo sobre os cortes de US$ 1,2 trilhão, no prazo de dez anos, nas contas do governo. A falta de consenso entre republicados e democratas no tema abre espaço para a ativação de cortes automáticos nos gastos públicos em 2013 - apenas dois meses após a próxima eleição presidencial. Mas, o presidente norte-americano, Barack Obama, foi pronto em afirmar que o déficit do país será reduzido "de uma maneira ou de outra" e prometeu qualquer tentativa de barrar esse objetivo.

À luz dos trabalhos do Supercomitê, a Fitch havia colocado, em agosto, o rating AAA e a perspectiva estável dos EUA em revisão. Agora, diante do malogro entre os legisladores, pode haver uma ação negativa por parte da agência de classificação - possivelmente com uma rebaixamento da perspectiva, e não de um degrau. A Fitch espera concluir os trabalhos até o fim deste mês.

Já na Europa, o custo para assegurar dívidas de grandes bancos da Europa contra calotes continua atingindo níveis recordes hoje, com o aumento dos temores de que França e Alemanha possam ser contagiadas pela crise das dívidas soberana na região.

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