Bovespa cai mais de 1% na abertura

O mercado de ações está abrindo nervoso com a troca de comando no ministério da Fazenda, se ajustando à escolha de Guido Mantega para o cargo. Embora Mantega esteja desde ontem á noite tentando acalmar o mercado financeiro, reiterando que não haverá mudanças na condução da política econômica, "a mais acertada que já se fez no País", segundo declarou em entrevista Agência Estado e Rádio Eldorado, os agentes financeiros ainda estão inseguros. É isso que está pesando na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), que caía 1,23%, às 11h10, aos 37.178 pontos, reagindo também à elevação do Risco Brasil para 245 pontos, e a alta dos juros futuros e do dólar. "Mantega será um gerador de muita volatilidade. Teremos um ministro muito diferente dos dois últimos, Pedro Malan e Palocci", disse uma fonte, destacando o fato de que o atual ministro da Fazenda sempre criticou a política monetária defendida por seu antecessor. Há também muita expectativa em relação às mudanças na equipe econômica. Nesta manhã, o ministro informou que o secretário do Tesouro, Joaquim Levy, que está de saída para o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), ficará no cargo até a definição do substituto. Ainda não há definição sobre quem vai ocupar a vaga do secretário-executivo da Fazenda, Murilo Portugal. Mantega sinalizou que pretende manter nos seus respectivos cargos os secretários de Política Econômica, Bernard Appy, e da Receita, Jorge Rachid. No curto prazo, dizem operadores, a reação do mercado à troca na Fazenda vai depender muito das declarações que forem dadas por Mantega e do presidente Lula, que é o fiador da política econômica atual. Mas se for retirado esse primeiro efeito do ajuste à mudança de comando no Ministério da Fazenda, "o que vai seguir batendo o tambor é o cenário externo", afirmou o diretor da Ágora Senior, Alvaro Bandeira. Os índices futuros de ações em Nova York operam perto da estabilidade, na expectativa do comunicado do banco central dos Estados Unidos (Federal Reserve), que acompanha a decisão sobre taxa básica de juro. O anúncio da decisão do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) está previsto para as 16h15. Desta vez, a expectativa é ainda maior por se tratar do primeiro encontro do Fomc da gestão de Ben Bernanke. Analistas dizem que se o ambiente externo estiver tranqüilo, pode limitar o estresse no cenário interno. Do lado corporativo, as atenções devem se voltar para a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), que anunciou lucro de R$ 2 bilhões no ano passado, crescimento de 1,2% ante 2004. O resultado veio em linha com a média das estimativas dos analistas ouvidos pela Agência Estado, de R$ 1,952 bilhão. Ontem, as ações da CSN subiram 4,35% reagindo à rumores de que a empresa estaria sendo disputada por outras siderúrgicas.

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