Bovespa cai na abertura para menos de 66 mil pontos

A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) abriu o dia em queda, abaixo da marca de 66 mil pontos. Na quarta-feira, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) divulgará sua decisão sobre a Selic (a taxa básica de juros da economia), o que pode influenciar os investimentos em renda variável no Brasil. Hoje, às 10h27 (horário de Brasília), o índice Bovespa (Ibovespa) caía 1,39%, a 65.756 pontos.

OLÍVIA BULLA, Agencia Estado

20 de abril de 2011 | 14h37

Apesar de curta, a semana será intensa no País, com as atenções voltadas para a quarta-feira. Na véspera do feriado prolongado, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgará o Índice de Preços ao Consumidor Amplo - 15 (IPCA-15) de abril. Em seguida, o Copom anunciará sua decisão sobre a Selic. "A decisão pelo 0,50 ou 0,25 (ponto porcentual) pode mudar o panorama do mercado", avalia o economista da Senso Corretora, Antônio César Amarante.

Segundo ele, o fluxo de recursos na renda fixa nacional vem sendo desleal com os negócios na renda variável, mas essa trajetória pode se inverter, a depender da política monetária a ser adotada pelo BC. "Qualquer decisão mais forte que o necessário pode resultar em um primeiro semestre perdido para a Bolsa", pondera.

Especialistas lembram ainda que, daqui a pouco mais de um mês, terminará o programa de recompra de títulos norte-americanos pelo Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos). Segundo os analistas, isso deve encerrar o período de liquidez artificial nos mercados e alterar a migração de recursos pelo mundo. Além disso, em maio, começará um período tradicionalmente conhecido pelos investidores como de tendência de baixa (bear market). Esse movimento costuma ir até setembro, durante o verão no Hemisfério Norte.

Segundo o operador de uma corretora paulista, o jargão "sell in May and go way (venda em maio e vá embora)" pode devolver o apetite ao risco nos mercados emergentes. Mas isso pode ocorrer à sombra de um ambiente de pressão inflacionária, que levou a China a aumentar ontem a taxa do compulsório bancário pela quarta vez apenas neste ano. A Bolsa de Xangai, por sua vez, fechou em alta hoje, no maior nível em cinco meses.

No Ocidente, os mercados internacionais renovam as preocupações com a crise das dívidas soberanas na Europa, com o foco voltado novamente para a Grécia. A largada da safra de balanços nos EUA frustrou as expectativas dos agentes e, por enquanto, mantém os índices futuros de Nova York em queda.

No Brasil, a briga no exercício de opções sobre ações tende a distorcer o pregão até o início da tarde, movimentado principalmente por Petrobras, OGX e Vale. Sobre a mineradora, é válido lembrar que está marcada para amanhã a Assembleia Geral Extraordinária (AGE), quando será referendada a formação do novo Conselho de Administração da empresa, em meio à saída de Roger Agnelli da presidência.

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