Bovespa cai pelo 3º dia seguido e perde 4% na semana

A sexta-feira repleta de notícias corporativas trouxe volatilidade ao índice Bovespa (Ibovespa), em um dia sem indicadores relevantes no exterior e antes do feriado na cidade de São Paulo, na segunda-feira, dia em que Bolsa de Valores de São Paulo não funcionará. Com perda acumulada de 5,4% na quarta e quinta-feira, o Ibovespa fechou hoje perto da estabilidade, mas ainda no campo negativo: baixa de 0,08%, aos 66.220,04 pontos. Na máxima do dia atingiu 66.660,15 pontos (+0,59%) e na mínima chegou a 65.445,43 pontos (-1,24%). Na semana, o índice acumulou perda de 4% e em janeiro, queda de 3,45%. O volume de negócios somou R$ 7,02 bilhões hoje.

TAÍS FUOCO,

22 Janeiro 2010 | 18h43

"Hoje o padrão de volatilidade ficou muito acima da média", afirmou Roni Lacerda, gestor de renda variável da Mercatto Gestão de Recursos. Outro operador notou que hoje a Bolsa não teve a pressão forte de venda de estrangeiros dos dois últimos dias, o que permitiu operação descolada do mercado internacional. Entre as notícias de empresas, a que mais movimentou a Bovespa foi o pagamento dos dividendos da Eletrobrás, assunto que se arrastava há 30 anos e que fez com que os papéis liderassem as altas pelo segundo dia consecutivo.

O conselho de administração da estatal aprovou hoje o pagamento dos dividendos retidos ao final da década de 1970 e início dos anos 1980. O pagamento será feito em quatro parcelas anuais, que vencem nos dias 30 de junho de 2010, 30 de junho de 2011, 30 de junho de 2012 e 30 de junho de 2013. Receberão os recursos as pessoas físicas e jurídicas que forem acionistas da Eletrobrás no dia 29 de janeiro. Nos cálculos da empresa, a dívida com os acionistas totaliza R$ 10,328 bilhões. Terão direito a receber o pagamento os acionistas detentores das ações ON, PNA e PNB.

Também foi acertada hoje a incorporação da petroquímica Quattor pela Braskem, já amplamente aguardada (e precificada) pelo mercado, enquanto o Bradesco anunciou a compra da totalidade das ações do Ibi no México (o banco já é dono do Ibi no Brasil desde junho passado).

Entre as blue chips, a queda na cotação de alguns metais básicos e as incertezas com a China afetaram os papéis da Vale mais uma vez. A ação ON caiu 2,11%, a R$ 50,51, enquanto o papel PNA teve recuo de 2,26%, a R$ 43,75.

A Petrobras seguiu a volatilidade que predominou na bolsa, mas acabou subindo porque "a Vale tinha mais gordura para queimar", segundo um operador. A ação ordinária da estatal de petróleo teve alta de 0,23%, a R$ 38,53, enquanto a preferencial subiu 1,22%, a R$ 34,75, depois de três quedas consecutivas. É bom lembrar que a Petrobras ganhou poder decisório na "nova Braskem", na qual deterá entre 32% e 36% do capital. Antes da transação, ela detinha 25% da empresa e não tinha participação na gestão. Já os contratos futuros de petróleo com vencimento em março negociados na Bolsa Mercantil de Nova York (Nymex, na sigla em inglês) fecharam em queda de 2,02%, a US$ 74,54 por barril.

No cenário externo, o anúncio de medidas da gestão de Barack Obama para restringir a atuação dos grandes bancos serviu como "uma bela ajustada" nos mercados, segundo um operador, enquanto persistem as preocupações com o aperto monetário na China e com a deliciada situação financeira da Grécia. As principais bolsas europeias fecharam em baixa, ampliando as perdas da sessão anterior. Em Nova York também predominavam as quedas perto das 18h40 nos três principais índices: Dow Jones cedia 1,64%, S&P 500 caía 1,82% e Nasdaq, -2,39%. O pregão regular nas Bolsas de Nova York vai até as 19 horas (de Brasília).

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