Bovespa começa dezembro em queda de 4,4%, a maior baixa desde setembro

Nenhuma ação terminou em alta hoje e as perdas se situaram em patamares bastante robustos; pesaram notícias sobre tributação de dividendos e fim de juros sobre capital próprio

Claudia Violante, Agência Estado

01 Dezembro 2014 | 17h55

Dezembro começou com forte queda na Bolsa brasileira. Um movimento de aversão ao risco internacional levou os investidores, sobretudo estrangeiros, a se desfazerem de ativos domésticos. As ordens de venda geraram stop loss e o índice perdeu 2,3 mil pontos numa única sessão. Nenhuma ação terminou em alta hoje e as perdas se situaram em patamares bastante robustos.

O Ibovespa terminou em baixa de 4,47%, maior queda porcentual desde o recuo de 4,52%, em 29 de setembro deste ano. Terminou em 52.276,58 pontos, menor nível desde os 52.061,86 pontos registrado no último dia 18 de novembro. Na mínima, marcou 52.156 pontos (-4,69%) e, na máxima, 54.719 pontos (-0,01%). Com o resultado de hoje, o resultado acumulado do ano foi reduzido a +1,49%. O giro financeiro totalizou R$ 7,500 bilhões.

No exterior, vários dados desagradaram, a começar pelo PMI oficial da China, que recuou a 50,3 em novembro ante previsão de que ficaria em 50,6. Outros PMIs na Europa também vieram fracos, assim como o do Japão, país que ainda presenteou o mercado com a notícia de que teve seu rating rebaixado pela Moody's. A agência justificou que a nota mais baixa se deve às incertezas sobre a capacidade do governo japonês de cumprir metas de redução do déficit fiscal.

O forte recuo do rublo no exterior, em meio à deterioração do preço do petróleo por conta da manutenção da produção pela Opep, na última semana, também fez com que muitos investidores optassem por se desfazer de ativos em emergentes.

A venda em Brasil foi uma opção diante do noticiário negativo e do cenário difícil à frente. Hoje, notícias como a possibilidade de volta da CPMF e tributação de dividendos e fim de juros sobre capital próprio foram citadas nas mesas domésticas como negativas à manutenção e compra de ações brasileiras.

Os estrangeiros foram líquidos na venda, estimulados ainda pelo recuo do preço do minério de ferro e do petróleo em grande parte do dia.

Petrobras ON, -5,27%, PN, -3,75%, Vale ON, -4,64%, Vale PNA, -4%, Gerdau PN, -6,70%, Usiminas PNA, -5,58%, CSN ON, -4,62%, Bradesco PN, -5,23%, Itaú Unibanco PN, -4,17%, Banco do Brasil ON, -6,64%, Santander Unit, -2,77%.

Metalúrgica Gerdau PN, -7,85%, liderou as perdas do índice, seguida por TIM ON (-7,78%) e Marfrig ON (-7,49%).

No exterior, as bolsas europeias recuaram e as norte-americanas operaram em queda durante o dia. No fechamento do Ibovespa à vista, o Dow caía 0,23%, o S&P, 0,66%, e o Nasdaq, 1,26%.

No mercado cambial, o dólar para janeiro seguia em baixa nesta tarde, mas em porcentuais mais comedidos, ainda em sintonia com o exterior, onde a moeda americana recuava ante boa parte das demais divisas. Às 17h26, o vencimento registrava taxa de R$ 2,5805 (-0,23%).

Na sessão estendida do mercado de juros, as taxas seguiam em alta, reagindo às expectativas com a reunião do Copom, que anunciará sua decisão na próxima quarta-feira, e a notícias negativas do exterior. O DI para janeiro de 2017, o mais negociado, tinha taxa de 12,34%, ante 12,18% no ajuste de sexta-feira. O DI para janeiro de 2021 exibia taxa de 11,81%, ante 11,63% no ajuste de sexta-feira. 

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