FERNANDO BIZERRA JR/EFE
FERNANDO BIZERRA JR/EFE

Bolsa acumula alta de 6% na semana com expectativa sobre o impeachment

Já o dólar fechou em alta nesta sexta, sob influência das atuações do BC, mas na semana teve perda de quase 2%

Fabrício de Castro, O Estado de S.Paulo

15 de abril de 2016 | 11h35

Os ativos no Brasil voltaram a refletir nesta sexta-feira, 15, a avaliação que tomou conta dos mercados nesta semana: a de que o processo de impeachment será aprovado na Câmara. A sensação de que o governo Dilma Rousseff caminha para o fim, apesar dos esforços da base aliada, fez a Bovespa subir 1,56% hoje, aos 53.227,74 pontos - na semana, o avanço acumulado foi de quase 6%.

No mercado de câmbio, a percepção era a mesma, mas o dólar à vista subiu pela primeira vez na semana, aos R$ 3,5263 (+1,42%). Neste caso, a perspectiva de impeachment já estava tão precificada que os leilões do Banco Central finalmente conseguiram sustentar as cotações. No acumulado da semana, contudo, a perda da moeda americana chegou a quase 2%.

 

Desde cedo, investidores buscavam ativos de maior risco, como as ações, à espera da votação de domingo na Câmara. O fato de o governo ter sofrido derrota na noite de ontem no Supremo Tribunal Federal (STF), em mandado impetrado pela Advocacia-Geral da União para anular o processo de impeachment, favorecia a alta da Bovespa.

Além disso, investidores reagiam ao Placar do Impeachment, do Estado, que já na noite de ontem indicava que a oposição tem votos suficientes para dar continuidade ao processo de impeachment. Na tarde de hoje, o levantamento indicava 347 deputados a favor do impeachment e 129 contrários. Há 12 indecisos e 25 não responderam. São necessários 342 votos para o impeachment passar pela Câmara.

Para alguns profissionais ouvidos pelo Broadcast, o avanço da Bovespa também ocorreu porque há investidores apostando em mais uma rali de alta a partir de segunda-feira, quando todos saberão se, de fato, o impeachment será aprovado na Câmara.

Ações. Petrobrás ON subiu 3,92% e o papel PN da estatal teve alta de 5,79%, enquanto Vale ON avançou 2,20%, e Vale PNA teve ganhos de 3,55%. Os dois ativos, referenciais na Bovespa, reagiram diretamente à questão política. Prova disso é que, no exterior, hoje foi dia de queda do petróleo e do minério de ferro, o que geralmente penaliza as ações dessas companhias no Brasil.

O dólar quebrou em parte hoje o roteiro visto nesta semana. O Banco Central realizou grandes operações de swap cambial reverso - equivalentes à compra de dólares no mercado futuro - pela manhã, o que deu sustentação às cotações. À tarde, porém, o dólar não perdeu força como em dias anteriores e se manteve em alta.

Profissionais ouvidos pelo Broadcast disseram que, após o forte movimento de desmontagem de posições compradas em dólar nos últimos dias, hoje os players se mostraram mais cautelosos. A derrota do governo na votação de domingo está precificada e, por isso, os leilões do BC mantiveram a moeda americana no território positivo.

O Banco Central colocou hoje, em três leilões de swap reverso, 88.500 contratos. Na prática, é como se o BC tivesse retirado do sistema US$ 4,425 bilhões. 

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