Bovespa diminui queda durante a tarde

BM&F Bovespa cai 0,47%, após informar que vai elevar sua participação na CME

Luciana Collet, da Agência Estado,

12 de fevereiro de 2010 | 13h15

O aumento do compulsório na China, na véspera do ano-novo chinês, ressuscita a aversão ao risco e a Bovespa iniciou a sessão em queda, refletindo também à divulgação de dados piores do que o esperado sobre o Produto Interno Bruto (PIB) de países da zona do euro. Às 15h40, o Ibovespa - principal índice de ações da Bolsa - registrava queda de 0,47%, aos 65.774 pontos, com projeção de volume R$ 5,54 bilhões para o fechamento. 

 

O Banco do Povo da China (PBOC, na sigla em inglês, banco central do país) informou que vai elevar o compulsório bancário em 0,5 ponto porcentual a partir do dia 25, na segunda medida desse tipo este ano.

Já as vendas no varejo norte-americano subiram 0,5%, ligeiramente acima do que os economistas esperavam, elevação de 0,3%. Mas o mercado ainda aguarda outros dados dos EUA, como sentimento do consumidor.

 

Entre as notícias corporativas, o aumento de capital anunciado hoje pela MMX Mineração foi o que mais animou os investidores. A ação chegou a cair mais de 2%, mas depois virou e passou a operar na maior alta do índice ao longo da manhã. No horário, eram cotadas a R$ 15,46, em alta de 4,67%.

O conselho de administração da companhia aprovou o aumento de capital, mediante a subscrição privada de ações ordinárias da companhia. A operação possibilitará a subscrição, pela Wisco Brasil Investimento em Metalurgia - subsidiária brasileira da Wuhan Iron and Steel (Wisco) - de 101.781.171 ações ordinárias da MMX, ou 21,52% do capital social da MMX após homologação integral do aumento de capital. A empresa pagará R$ 738,9 milhões, equivalente a US$ 400 milhões, de acordo com o contrato de subscrição. Se o aumento de capital for acompanhado pela totalidade dos acionistas da MMX, seu valor final chegará ao montante de R$ 1,218 bilhão.

O negócio é resultado de um contrato de subscrição de ações firmado entre a MMX e a Wisco em 30 de novembro, portanto não é completa novidade para os analistas. A novidade fica por conta do preço de subscrição, de R$ 7,26 - equivalente ao preço por ação de US$ 3,93, o que representa um prêmio de 16,1% em dólar sobre o preço da ação da companhia no fechamento do pregão do dia 22 de junho de 2009, quando recebeu a oferta de compra de participação acionária pela Wisco.

 

Para o analista Pedro Galdi, da SLW Corretora, o papel sobe devido à melhor perspectiva da companhia com a entrada de capital. Segundo ele, a empresa possui uma dívida elevada - a dívida financeira estava em R$ 1,081 bilhão no final do terceiro trimestre, dos quais 63%, ou R$ 677,7 milhões, com vencimento no curto prazo. No entanto, precisa realizar investimento pesado para ampliar sua produção de minério de ferro. A companhia atualmente revisa seu plano de investimentos.

 

Bolsa

 

Durante o dia a BM&F Bovespa informou que vai elevar sua participação na CME, de 1,8% para 5%, o que vai exigir um desembolso de US$ 620 milhões. Além disso, a bolsa brasileira informou que planeja criar uma nova plataforma de negociação em parceria com a CME Group, maior bolsa do mundo, com sede em Chicago, num investimento de US$ 175 milhões.

O diretor executivo financeiro e de RI da instituição, Carlos Kawall, disse que a BM&F Bovespa estuda captar recursos no mercado de renda fixa para financiar parte do valor a ser gasto, particularmente na fatia da CME. O diretor-presidente da BM&FBovespa, Edemir Pinto, descartou fazer uma oferta de ações para financiar a operação. Segundo ele, a Bolsa gera R$ 1 bilhão em caixa por ano e, como tem índice zero de endividamento, uma emissão no mercado de dívida faria mais sentido. O conselho de administração da instituição está avaliando a melhor opção a ser adotada.

 

Fora do índice, as ações da Açúcar Guarani caem 4,04% após o anúncio de seu balanço. O grupo sucroalcooleiro obteve lucro líquido de R$ 1,8 milhão no terceiro trimestre da safra 2009/10, que engloba os meses de outubro, novembro e dezembro. No mesmo intervalo do ano anterior, a empresa anunciou prejuízo de R$ 113 milhões.

 

No entanto, as chuvas excessivas que provocaram uma queda na moagem de cana-de-açúcar e um aumento nos custos com cana de terceiros levaram a um aumento expressivo do custo de caixa unitário da Açúcar Guarani para o açúcar e etanol. No acumulado dos três trimestres de 2009/10, o aumento de custo atingiu 29,3%.

A companhia informou hoje que estima uma queda de 10% na produção de etanol na próxima safra, de 500 milhões de litros para 450 milhões de litros, de acordo com Jacyr Costa, presidente da empresa.

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