Bovespa encerra com perda de 0,86%, em linha com NY

Um dia de tombo, outro de alívio, o terceiro novamente de queda. A Bolsa de Valores de São Paulo, seguindo os mercados de ações mundiais, está na trilha da volatilidade e ainda é cedo para se dizer quando o terreno ficará menos instável. O Ibovespa, principal índice da Bolsa paulista, fechou em baixa de 0,86%, aos 43.517 pontos. No pior momento do dia, o Ibovespa cedeu 4,23%. No melhor momento, ainda ficou no negativo, em -0,01%. O índice acompanhou as Bolsas de Nova York, onde o Dow Jones encerrou em queda de 0,28% e o Nasdaq recuou 0,49%. O volume de negócios na Bovespa mantém-se forte desde a terça-feira, e totalizou hoje R$ bilhões. O mau humor rendeu os mercados logo cedo, com nova queda da Bolsa da China (2,9%) e de outras praças asiáticas (Tóquio caiu 0,86%). As bolsas européias tentaram, mas não conseguiram, manter-se no azul, protagonizando viradas violentas que os operadores não conseguiam explicar, mas que estavam dentro do quadro de correção de ativos no mundo todo. Os dados norte-americanos divulgados hoje, mostrando aumento de renda e do consumo - mesmo com pequena alta da inflação - deram sinais favoráveis para a atividade norte-americana e aliviaram um pouco a pressão sobre Wall Street, mas não chegaram a neutralizar a correção para baixo nos preços das ações. A renda pessoal dos norte-americanos em janeiro cresceu 1%, bem acima do esperado pelos analistas (+0,3%), enquanto os gastos com consumo pessoal aumentaram 0,5%, também superando o esperado (0,4%). O índice de preços PCE, excluindo os preços voláteis de alimentos e energia, subiu 0,3%, ante expectativas de alta de 0,2%. Operadores de Bolsa também citaram o desmonte de operações de 'carry trade' com ienes como motivo de aceleração das vendas nos mercados acionários. Nesse tipo de operação, o investidor toma emprestado dinheiro em moeda de baixo custo (como o iene, do Japão, onde as taxas de juros são pequenas), vende a moeda e aplica os recursos onde os juros (e, portanto, os rendimentos), são maiores. Mas agora, com o nervosismo que tomou conta das bolsas na terça-feira, alguns investidores começaram a vender suas participações mais arriscadas em qualquer ponto do globo, como ações de países emergentes, para usar os recursos para comprar ienes e pagar seus empréstimos antecipadamente. Maior baixa O ranking de maiores baixas do Ibovespa foi liderado hoje por Natura ON, que perdeu 13,74%. O mercado não gostou do balanço da empresa, divulgado ontem. O lucro em 2006, de R$ 460 milhões, veio dentro do esperado por analistas, mas a Natura confirmou que sofreu com o desempenho da concorrente Avon e que houve aumento de custos com a expansão internacional.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.