Bovespa ensaia alta na abertura, mas pessimismo com Europa persiste

Dúvida é se negócios locais vão conseguir manter o suporte da faixa dos 52 mil pontos nesta sessão.

Olivia Bulla, da Agência Estado,

24 de julho de 2012 | 10h28

Os mercados financeiros globais seguem abatidos com a situação na Europa, minando a possibilidade de trégua para os negócios com risco. De quebra, a Bovespa pode, novamente, testar um importante suporte na faixa dos 52,2 mil pontos nesta sessão. As dúvidas sobre se os negócios locais vão conseguir defender essa barreira mais uma vez persistem e tudo vai depender do desempenho das bolsas no exterior para definir a magnitude da queda ou, talvez, uma tentativa de recuperação, em dia de dados econômicos importantes nos EUA. Por volta das 10h05, o Ibovespa subia 0,45%, aos 53.272,97 pontos.

O analista da XP Investimentos William Castro Alves diz que na segunda-feira o Ibovespa mostrou força para defender a marca dos 52 mil pontos, depois de ter cravado a menor pontuação do ano durante a sessão, aos 52.213 pontos. "A Bolsa furou a barreira em torno dos 52,5 mil pontos, mas depois voltou", afirmou, lembrando que na segunda-feira o índice à vista conseguiu fechar acima dos 53 mil pontos.

Para ele, nesta terça-feira, ao que tudo indica, a Bolsa deve oscilar em uma margem mais estreita. A performance doméstica, disse o profissional, "vai depender do exterior". No horário acima, o futuro do S&P 500 tinha alta de 0,13%, migrando para o positivo após a divulgação do índice PMI industrial nos EUA, que ficou em 51,8 na leitura preliminar de julho. Logo mais, às 11 horas, saem números sobre a atividade industrial em Richmond (às 11h) e sobre os preços de moradias (às 11h). O presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, discursa, nesta manhã, sobre educação na primeira infância.

Na Europa, as bolsas de Paris e de Frankfurt cediam 0,18% e 0,24%. Apesar das persistentes preocupações com o risco de ruptura da zona do euro, diante de uma eventual saída da Grécia do bloco, e com o socorro financeiro iminente à Espanha, os investidores ensaiam uma pausa nos negócios, após a forte queda da véspera. As perdas seguem concentradas no mercado de Madri, com desvalorização de 3,00%, contagiando ainda a Bolsa de Milão, com -1,72%.

Para o analista da Cruzeiro do Sul Corretora, Jason Vieira, "a situação no Velho Continente dá sinais cada vez mais claros e presentes de desgate". "O difícil é saber o quanto e até quando o mundo aguenta de notícias negativas da Europa", disse o profissional. "Provavelmente, não muito."

O índice PMI composto da zona do euro seguiu estável em 46,4 pontos na leitura preliminar de julho, diante do avanço acima do previsto do PMI do setor de serviços em relação a junho, mas queda do PMI de manufaturam no período, contrariando a previsão de alta. "A região continua a apresentar resultados muito inferiores àqueles observados no Japão, EUA e Reino Unido", disse Vieira.

Já a China trouxe certo alento, principalmente às commodities, após registrar melhora da atividade industrial. O índice PMI do HSBC subiu a 49,5 na prévia deste mês, de uma leitura final de 48,2 em junho. Ainda assim, é o nono mês consecutivo que o índice permanece em território que indica contração da atividade. Seja como for, os números podem aliviar a pressão sobre as blue chips brasileiras exportadoras de matérias-primas.

No setor financeiro, as ações do Itaú reagem à queda de 8,2% do lucro líquido de R$ 3,3 bilhões do banco no segundo trimestre deste ano, em relação a igual período do ano passado. O resultado ficou abaixo da previsão média dos analistas, por ter ultrapassado a variação em linha de 5% para cima ou para baixo. O maior banco privado do País reduziu as projeções para o crescimento da carteira de crédito, mas manteve estável a provisão para devedores duvidosos (PDD) ao final de junho.

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