Bovespa está entre bolsas que mais caíram desde 15/05

A Bovespa teve um dos piores desempenhos, em dólares, entre os mercados mundiais entre o dia 15 e ontem, período marcado pela acentuada volatilidade e pelo aumento da aversão ao risco global. A Bolsa brasileira acumulou queda de 8,23% no período. De uma relação de 80 mercados acionários globais, o Brasil só não foi pior do que Chipre (-8,25%), Índia (-9,50%), Polônia (-10,00%), Arábia Saudita (-11,34%), Egito (-13,43%) e Marrocos (-15,43%). Entre os integrantes do Bric (Brasil, Rússia, Índia e China), apenas a Bolsa da China conseguiu ficar em território positivo entre os dias 15 e 29, acumulando alta de 1,63%, em dólares. A Bolsa da Rússia concluiu o período com queda de 6,13%. Alguns analistas apontam a Índia (queda de 9,50% no período) como um possível estopim do aumento do nervosismo dos estrangeiros que atuam nos grandes mercados emergentes. Na segunda-feira passada, dia 22, a Bolsa da Índia chegou a cair 10%, desencadeando um pânico entre os investidores estrangeiros, que haviam entrado pesado nos últimos dois anos no país, cujas ações vinham apresentando um dos melhores desempenhos entre as Bolsas mundiais. No mesmo dia 22, o mercado indiano reduziu a queda no fechamento a 3,7%, mas apenas porque a seguradora estatal Life Insurance Corporation entrou decididamente na ponta de compra, enquanto os estrangeiros fugiam para ativos mais seguros, conforme revelou o jornal Financial Times. Para compensar os prejuízos na Índia, os estrangeiros estariam reforçando as vendas em outros mercados, puxando todos os emergentes para baixo. Os movimentos dos investidores estrangeiros são, neste momento, determinantes para as atuais oscilações dos mercados emergentes, que nos últimos três a quatro anos foram particularmente beneficiados pelo fluxo de capital externo, quando o cenário era de juros baixos e retornos modestos entre os grandes mercados industrializados. "Os investidores estão se conscientizando de que o G3 (Estados Unidos, União Européia e Japão) vai subir o juro e começaram a exigir um prêmio maior dos ativos emergentes, ou seja, os preços destes ativos têm de cair", comentou Fernando Hadba, chefe de pesquisa de asset management do BNP Paribas. A forte queda acumulada entre o dia 15 e ontem foi só "o primeiro sinal" dado pelos estrangeiros de que os mercados emergentes vão enfrentar tempos bem mais difíceis, alertou Hadba. Os números divulgados ontem pela consultoria Emerging Porftolio Fund Research (EPFR) mostraram que, na semana encerrada no último dia 24, os fundos de ações de mercados emergentes registraram saídas líquidas de expressivos US$ 5 bilhões, ou 1,74% do total de ativos, na sua pior semana desde maio de 2004. Os fundos de ações dos Bric, por sua vez, tiveram a primeira semana de saída líquida desde que o EPFR começou a monitorá-los separadamente em outubro de 2005. Os investidores retiraram cerca de US$ 370 milhões dos fundos Bric e não pouparam os fundos de cada um destes mercados individuais, tirando um total de US$ 1,5 bilhão dos fundos relacionados aos Bric. "A economia dos EUA está se desacelerando e a aversão ao risco deve crescer", prevê Hadba. Ele afirmou que, independentemente da tendência de longo prazo para os mercados emergentes, no curto prazo a volatilidade veio para ficar. No caso da Bovespa, Hadba acredita que a tendência ainda seja de alta. "Poderemos ter uma trégua na Copa do Mundo, que coincidirá com o início das férias de verão no hemisfério Norte - o que reduzirá a liquidez -, mas, passado isto, as eleições presidenciais começaram a entrar no radar dos investidores, podendo, de novo, causar nervosismo", disse. Mesmo assim, ele acredita que a situação de extremo nervosismo verificada antes das eleições presidenciais de 2002 não se repetirá.

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