Bovespa fecha com maior perda do mês, de 3,39%

A Bolsa de Valores de São Paulo ficou refém do mercado norte-americano de ações, que operou em forte baixa, e foi prejudicada também pela queda da cotação do petróleo. O Ibovespa, principal índice, despencou 3,39% e fechou aos 42.749 pontos, depois de passar o dia todo em queda. No mês, a Bovespa acumula perda de 5,42% e, no ano, de 3,88%. A desvalorização da Bolsa paulista hoje foi a maior desde o primeiro dia da turbulência nos mercados, detonada pela queda de 8,9% da Bolsa de Xangai. Naquele pregão, de 27 de fevereiro, o Ibovespa derreteu 6,63%. Assim como então, hoje nenhuma ação que compõem o índice fechou em alta. Mesmo assim, o giro financeiro aumentou em relação aos três últimos pregões, totalizando hoje R$ 3,98 bilhões. Essa conjunção de fatores (ações em queda e giro em alta) indica provável fuga de capital externo, com os investidores estrangeiros fugindo de mercados emergentes. O risco Brasil, por exemplo, que mede o grau de desconfiança dos investidores no mercado brasileiro, subia 4 pontos por volta das 17 horas (para 195 pontos-base). Nos Estados Unidos, o índice Dow Jones cedeu 1,97% e o Nasdaq, da Bolsa eletrônica, perdeu 2,15%. O mau humor teve início com o aumento das preocupações a respeito do mercado de hipotecas subprime (para clientes com maior risco de inadimplência) e prosseguiu após a divulgação do dado de vendas do varejo em fevereiro, que veio abaixo do esperado. A segunda maior empresa norte-americana do mercado de hipotecas subprime, New Century Financial, revelou hoje que a SEC - órgão regulador do mercado financeiro dos EUA - está conduzindo uma investigação preliminar na companhia. O pedido de concordata da New Century é dado como certo pelo mercado. Outra empresa ligada ao mercado subprime, a Accredited Home Lenders, informou que está em negociação com seus credores - as instituições bancárias que financiam suas operações - para renegociar suas dívidas. O temor entre os investidores, e que pesou hoje nas Bolsas no exterior e conseqüentemente no Brasil, é de que a inadimplência não se restrinja ao mercado subprime, fazendo estourar uma bolha do mercado imobiliário. E as vendas do varejo em fevereiro nos EUA não ajudaram a melhorar o quadro. As vendas cresceram 0,1% no mês, ante expectativa por parte de economistas de aumento de 0,3%. Pela manhã, o petróleo evitava uma queda mais forte do Ibovespa, pois operava em alta, deixando as ações da Petrobras perto da estabilidade. À tarde, contudo, a commodity virou o sinal e fechou em baixa de 1,66% em Nova York, arrastando as ações preferenciais da petrolífera brasileira, que encerraram com perda de 1,60%. Como esses papéis são os de maior peso no Ibovespa, a queda da Bolsa paulista foi instantaneamente aprofundada.

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