Bovespa fecha em baixa com piora do cenário externo

Notícia de que a Moody''s colocou rating da Espanha em revisão para possível rebaixamento, logo no começo do dia, reforçou o sentimento de aversão ao risco nos mercados globais

Márcio Rodrigues, Agência Estado

15 de dezembro de 2010 | 18h43

A notícia de que a Moody''s colocou a nota de classificação de risco (rating) da Espanha em revisão para possível rebaixamento, logo no começo do dia, reforçou o sentimento de aversão ao risco nos mercados globais. No Brasil, o vencimento do índice Bovespa (Ibovespa) futuro e de opções sobre o índice potencializou a queda do mercado acionário. O pessimismo no exterior derrubou a cotação das commodities, impactando negativamente as ações das produtoras brasileiras de matérias-primas.

O Ibovespa, que operou durante todo o dia no terreno negativo, registrou hoje queda de 1,27%, aos 67.870,14 pontos. Na mínima, o índice caiu 1,50%, aos 67.771 pontos. O volume financeiro somou R$ 8,34 bilhões, inflado por uma operação direta de compra e venda das ações da CCR e pelo vencimento do Ibovespa futuro e de opções sobre o índice.

Segundo o economista-chefe da Legan Asset, Fausto Gouveia, se os dados anunciados nos Estados Unidos tivessem sido fortes o suficiente para reverter o cenário negativo para as bolsas norte-americanas, a queda da Bovespa poderia ter sido menor. Em Nova York, o salto do índice de atividade do setor de manufatura para 10,57 em dezembro, de -11,14 em novembro, e o crescimento ligeiramente acima do esperado da produção industrial nos EUA no mês passado, em +0,4% ante previsão de +0,3%, ajudaram momentaneamente os mercados, que voltaram a perder força ao longo da tarde. Do lado da inflação, o avanço dentro do esperado do índice de preços ao consumidor (CPI) em novembro reforçou a visão de que o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) não precisará lançar uma terceira rodada de afrouxamento quantitativo em breve, conforme vinham especulando alguns agentes.

Na Europa, o Parlamento da Irlanda aprovou o pacote de ajuda ao país oferecido pela União Europeia (UE) e pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). Este último, por sinal, anunciou que seu Conselho deverá votar amanhã sobre a contribuição de 22,5 bilhões de euros da instituição para o pacote de assistência financeira para a Irlanda. O pacote inclui 45 bilhões de euros da União Europeia e 17,5 bilhões de euros do próprio governo irlandês, totalizando 85 bilhões de euros. Nem isso foi o suficiente para melhorar o ânimo dos mercados europeus, que fecharam em baixa.

Na Bovespa, a queda dos metais básicos colaborou para um novo recuo de mineradoras e siderúrgicas. Vale PNA caiu 0,77% e Vale ON recuou 1,53%. Ainda no setor, MMX ON recuou 2,04%. Entre as siderúrgicas, CSN ON liderou as perdas entre os pares do setor, com queda de 3,36%. Usiminas ON teve baixa de 2,84% e Usiminas PNA cedeu 2,25%; Gerdau PN caiu 1,39% e Gerdau Metalúrgica PN recuou 1,03%.

Petrobras PN caiu 1,78% e Petrobras ON recuou 1,86%. O papel ON da outra petrolífera, a OGX, teve baixa de 2,08%. A queda das cotações foi na direção contrária ao preço do barril do petróleo, que subiu em Nova York após a informação de que os estoques norte-americanos da commodity tiveram uma redução de 9,854 milhões de barris na semana passada.

As maiores quedas do dia, no entanto, ficaram com as empresas do setor de construção civil. MRV ON cedeu 5,62%, seguida por Cyrela ON, em baixa de 4,55%. PDG Realty ON, por sua vez, caiu 4,16%.

Na ponta positiva, os destaques de altas ficaram com Klabin PN (+3,05%), Ambev PN (+1,89%), Gol PN (+1,34%), Braskem PNA (+1,08%) e Cosan ON (+1,02%).

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