Bovespa fecha em queda após três dias de ganhos

Mercado local pegou carona no cenário negativo vindo do exterior e, com isso, a Bolsa recuou 2,21%

Fabrício de Castro, O Estado de S. Paulo

09 de janeiro de 2015 | 18h11

Após três sessões de ganhos, a Bovespa encontrou espaço nesta sexta-feira, 9, para uma realização de lucros, na esteira do cenário negativo vindo do exterior. O índice à vista cedeu durante todo do dia, com ações de setores importantes pesando sobre os negócios, como o elétrico e o financeiro.

O Ibovespa fechou em baixa de 2,21%, aos 48.840,25 pontos, encerrando a semana com ganho de 0,68%. No ano, a Bolsa acumula -2,33%. Na mínima da sessão, registrou 48.501 pontos (-2,89%) e, na máxima, 49.955 pontos (+0,02%). O giro financeiro foi fraco e totalizou R$ 5,238 bilhões.

Profissionais afirmaram ao Broadcast que, com os ganhos de mais de 5% contabilizados nos três dias anteriores, muitos investidores atuaram hoje na ponta de venda de ações, embolsando lucros. O mesmo era visto em Nova York e na Europa, onde os negócios foram azedados por números ruins da economia mundial. 

Os dados de criação de vagas de trabalho nos EUA (payroll) vieram acima do esperado pelos analistas, mas o documento mostrou também que não houve inflação nos salários em dezembro. A leitura mista levou as bolsas de Nova York ao terreno negativo. Na Europa, as bolsas operaram sob o impacto de dados industriais ruins da região e de um possível programa de compra de títulos soberanos pelo Banco Central Europeu (BCE) em valor considerado decepcionante.

Este fatores fizeram a Bolsa de Londres ceder 1,05%, a de Paris recuar 1,90%, a de Frankfurt ter baixa de 1,92% e a de Madri despencar 3,91%. Em Nova York, que encerra os negócios apenas às 19 horas de Brasília, o Dow Jones tinha baixa de 0,82% há pouco, o S&P 500 recuava 0,75% e o Nasdaq caía 0,56%. 

No Brasil, as ações também foram impactadas por questões locais. A indefinição sobre o novo socorro ao setor de energia por parte do governo pesou sobre papéis como Eletrobras ON (-2,11%), Eletrobras PNB (-6,96%) e Light ON (-7,27%). 

Já os bancos foram penalizados por especulações de que a operação Lava Jato da Polícia Federal, que investiga desvios na Petrobrás, possa respingar no setor financeiro. Bradesco ON (-4,33%), Bradesco PN (-4,34%), Itaú Unibanco PN (-4,37%) e Santander units (-3,03%) mostraram queda. 

Petrobrás, que passou o dia no vermelho, virou no final da sessão. As ações subiram sem motivo aparente. Um operador comentou que a inversão pode ter ocorrido com o aumento da procura por aluguel do papel. "Os investidores que alugaram papel para vender não estão conseguindo renovar os alugueis por causa da alta procura. Então estão comprando para devolver, puxando a alta das ações."  

No final da tarde, o Broadcast informou que a estatal analisa vender participações em áreas no pré-sal como solução de curto prazo para enfrentar dificuldades financeiras. Empresas sócias da Petrobrás estão sondando investidores financeiros e petroleiras no exterior para avaliar se têm interesse no negócio. Petrobrás ON subiu 2,99% e PN teve ganho de 2,40%. A Vale, porém, encerrou em queda: -2,15% a ON e -1,39% a PNA.

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