Bovespa fecha em queda de 0,18% aos 69.529,73 pontos

Ao longo da sessão, o Ibovespa oscilou entre a máxima de 70.311,61 pontos, em alta de 0,95%, à mínima de 68.847,04 pontos, em queda de 1,16%

Rosangela Dolis, da Agência Estado,

22 de outubro de 2010 | 18h38

Tal como ontem, a Bovespa voltou a assistir fuga de capital externo hoje, motivada pelas crescentes preocupações de investidores estrangeiros de que o governo amplie o IOF sobre capital externo também no mercado de ações, como já fez na renda fixa, ou adote até mesmo outras medidas restritivas, como a quarentena. Esses temores foram reforçados à tarde por declarações do secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, de que o governo tem uma "grande quantidade" de medidas em estudo (para controlar o mercado de câmbio), que poderão ser lançadas a qualquer momento, conforme a situação exigir.

Paulo Hegg, operador da Um Investimentos, comenta que as saídas de capital estrangeiro se intensificaram desde ontem. "Os investidores vão ficar atentos ao movimento do câmbio local em reação às recentes medidas do governo e às decisões do encontro do G-20 neste fim de semana. Uma continuidade da desvalorização do dólar aumentará ainda mais o receio de que o governo venha a adotar restrições também na renda variável", ele diz.

A Bolsa brasileira fechou em queda de 0,18%, aos 69.529,73 pontos. Na semana, a Bovespa acumula queda de 3,2%. Ao longo da sessão, o Ibovespa oscilou entre a máxima de 70.311,61 pontos, em alta de 0,95%, à mínima de 68.847,04 pontos, em queda de 1,16%. O volume financeiro atingiu R$ 6,213 bilhões, ante R$ 7,323 bilhões ontem.

A baixa hoje da Bovespa só não foi maior porque as ações das siderúrgicas subiram fortemente, por causa de medida da Receita Federal que restringe as importações de aço. Usiminas ON valorizou-se 3,91% e PNA, 3,00%, respectivamente, segunda e terceira maior alta do Ibovespa; Gerdau PN subiu 0,54% e CSN ON, 1,72%.

A medida trouxe, porém, expectativa de aumento de custos para construtoras, o que reforçou tendência de baixa para ações do setor, já prejudicadas por realizações de lucro por estrangeiros. Papéis do setor pesaram, com perdas maiores que 1%. PDG Realty caiu 2,76%; Gafisa ON, 2,17%; MRV ON, 1,13%; Rossi ON, 1,09%; Cyrela ON, 1,01%; e Brookfield ON, 0,56%.

Além das construtoras, Vale também voltou hoje a ser porta de saída de estrangeiros, mas no final a ação ON fechou em alta de 0,09% e a PNA, em queda leve de 0,19%. Os papéis da Petrobrás resistiram em leve alta, de 0,26% (ON) e 0,21% (PN).

Nos EUA, em dia sem divulgação de indicadores econômicos relevantes no país, as desconfianças sobre medida consensual para solução da guerra cambial global na reunião dos presidentes dos BCs e ministros de Finanças do G-20 na Coreia do Sul, que termina amanhã, imprimiram cautela aos investidores.

As Bolsas norte-americanas fecharam em direções divergentes. O Dow Jones caiu 0,13%, deprimido pela redução de lucros da Verizon, que divulgou balanço hoje, e por preocupações com a American Express, em razão da fraca demanda por novos empréstimos. Já o Nasdaq subiu 0,80% e o S&P500 avançou 0,24%.

(Texto atualizado às 18h55)

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