Bovespa fecha no azul após decisão do BCE

Bolsa fechou em alta de 0,44%, mas chegou a subir mais de 2% depois do BC europeu anunciar medidas de estímulo

Clarissa Mangueira , O Estado de S. Paulo

22 de janeiro de 2015 | 18h20

Apesar de ter registrado sua terceira sessão consecutiva de alta, um movimento de realização de lucros levou a Bovespa a reduzir parte dos fortes ganhos registrados mais cedo, que tinham sido impulsionados pela decisão do Banco Central Europeu (BCE) de adotar um programa de relaxamento monetário agressivo. 

No fim do dia, o Ibovespa terminou com alta de 0,44%, aos 49.442,62 pontos, depois de ter conseguido retomar o nível dos 50 mil pontos durante a entrevista do presidente do BCE, Mario Draghi, para anunciar as medidas de estímulo monetário. 

Segundo ele, a instituição vai adotar um programa de relaxamento quantitativo (QE) no valor superior a 1 trilhão de euros. O programa, que caracteriza uma extensão das medidas atuais de compra de ativos, prevê a aquisição de 60 bilhões de euros ao mês em títulos soberanos e corporativos a partir de março deste ano. 

"A intenção é a de continuar (com o programa) até o fim de setembro de 2016, e será em todo o caso conduzido até observarmos um ajuste sustentável no rumo da inflação que seja consistente com a nossa meta de atingir taxas de inflação maiores, mais próximas a 2% (ao ano), no médio prazo", afirmou Draghi.

A decisão do BCE veio um dia depois de o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco anunciar que elevou a taxa básica de juros, a Selic, em 0,50 ponto porcentual, apara 12,25% ao ano. 

Na máxima do dia, a Bovespa atingiu 50.281 pontos (+2,15%) e na mínima, 49.227 (+0,01%). O giro de negócios totalizou R$ 8,082 bilhões. No ano, a Bovespa ainda acumula queda de 1,13%.

No exterior, as bolsas também registraram ganhos consistentes devido ao anúncio do BCE. Na Alemanha, o índice DAX fechou em nível recorde, de 10.435,62 pontos (+1,32%). Perto das 17h30, em Wall Street, o índice Dow Jones subia 1,16%, o S&P 500 avançava 1,14% e Nasdaq ganhava 1%.

As ações PN da Oi fecharam com a maior alta do índice, de 6,77%, impulsionados por expectativas sobre a assembleia dos acionistas da PT SGPS, dona de 25,6% da tele brasileira, que deve votar a venda de ativos para a francesa Altice, por 7,4 bilhões de euros.

As ações da Petrobrás também figuraram entre os melhores desempenhos do pregão, subindo 3,70% (ON) e 4,38% (PN), apesar de os preços internacionais do petróleo terem voltado a cair. Segundo cálculos do Centro Brasileiro de Infra Estrutura (CBIE), apesar dos impactos da queda do preço internacional de petróleo, que deve resultar em cortes de investimentos, a Petrobrás tem o que comemorar com a manutenção da alta defasagem de preços de combustíveis entre o praticado no Brasil e a realidade do exterior. Na primeira quinzena de janeiro, a defasagem média de gasolina foi de 68,9% em relação aos preços praticados no Golfo do México. Para o diesel, a diferença foi de 53%. Com essa margem, a estatal poderá arrecadar mais de R$ 2,9 bilhões por mês em receitas adicionais para ajudar na recomposição de seu caixa, disse a CBIE.

Ainda entre os destaques positivos estavam as ações da Gol, que fecharam com ganho de 4,40%, após a companhia informar que vai propor aos acionistas a criação de uma "super ação preferencial", que proporciona direitos patrimoniais 35 vezes superiores aos de suas ações ordinárias. 

Tudo o que sabemos sobre:
bovespa

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.