Richard Drew/AP
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Bovespa fecha no menor nível desde 2009 com teste nuclear na Coreia

Temores com a desaceleração da economia chinesa também colocaram investidores em alerta e afetaram negócios no mercado global

Cláudia Violante, O Estado de S.Paulo

06 de janeiro de 2016 | 19h06

(Atualização às 21h)

China e Coreia do Norte elevaram a aversão ao risco global e levaram a Bovespa a fechar no menor nível desde o final de março de 2009. As commodities globais caíram e isso afetou o desempenho de ações de empresas como Vale e Petrobrás. À tarde, o mercado operou de olho na ata da reunião de dezembro do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), divulgada na última hora de pregão.  

O Ibovespa fechou em baixa de 1,52%, aos 41.773,14 pontos, no menor patamar desde 31 de março de 2009, quando terminou em 40.925,87 pontos. Na mínima do dia, marcou 41.590 (-1,96%). Na máxima da sessão, ficou em 42.410 pontos (-0,02%). No mês, acumula baixa de 3,64%. O giro financeiro totalizou R$ 5,507 bilhões. 

No começo da sessão, a Bolsa brasileira repetiu o comportamento de outros mercados internacionais de aversão ao risco com a notícia do teste de bomba feito pela Coreia do Norte. Os dados fracos da China e a nova intervenção do BC chinês no yuan afetaram principalmente as commodities, levando as ações de mineradoras e siderúrgicas para baixo, impactando fortemente esses setores aqui no Brasil. 

A China anunciou que seu PMI de serviços recuou para 50,2 em dezembro, de 51,2 em novembro, segundo dados da Caixin Media. Trata-se do menor nível desde julho de 2014 e o segundo menor da série histórica, iniciada em novembro de 2005. E o PBoC, o BC chinês, enfraqueceu o yuan pelo sétimo dia seguido, com a taxa de paridade caindo para o menor nível desde abril de 2011.

Aqui, Vale despencou 7,35% na ON (ações com direito a voto) e 7,58% na PNA (preferência por dividendos). O setor siderúrgico teve perdas ainda mais fortes, por causa da expectativa não confirmada de que o presidente da Gerdau, Jorge Gerdau, discutiria sobre o aumento da alíquota do imposto de importação para o setor em reunião que teve hoje com o ministro da Fazenda, Nelson Barbosa. 

Gerdau Metalúrgica PN desabou 12,93%. Gerdau PN caiu 8,08%, Usiminas PNA, 8,96%, e CSN ON, 7,90%. Petrobrás ON recuou 4,62% e a PN, 4,19%, com a queda dos preços do petróleo no mercado internacional, que fecharam em queda pelo terceiro dia consecutivo, depois de um relatório do Departamento de Energia dos EUA (DoE) reforçar ainda mais as preocupações com o excesso de oferta global do produto e com a demanda fraca de derivados. Segundo a FactSet, na New York Mercantile Exchange (Nymex,), o nível de fechamento dos contratos futuros de petróleo bruto com vencimento mais próximo foi o mais baixo desde fevereiro de 2004. Na Intercontinental Exchange (ICE), o nível de fechamento dos contratos do Brent foi o mais baixo desde junho de 2004.

À tarde, a Bovespa praticamente não reagiu à ata do último encontro de política monetária do Federal Reserve. O documento mostrou que a decisão de elevar os juros pela primeira vez em quase uma década foi apertada, pois muitos dos dirigentes tiveram dificuldades em tomá-la por causa de preocupações com a inflação nos EUA, que está bem abaixo da meta do banco central.

Nova York. As Bolsas dos EUA fecharam em queda, com o índice Dow Jones abaixo dos 17 mil pontos pela primeira vez desde outubro e o S&P-500, abaixo de 2 mil pontos pela primeira vez desde meados de outubro. A queda das ações acelerou à tarde, depois de a ata da reunião do Fed realizada em dezembro indicar que vários dirigentes relutaram em elevar as taxas de juro de curto prazo, por causa da incerteza quanto à perspectiva da inflação.

Todos os dez componentes setoriais do índice S&P-500 fecharam em queda; os destaques negativos foram os setores de energia (-3,62%), materiais (-2,61%) e telecomunicações (-1,73%). Das 30 componentes do Dow Jones, a única ação a fechar em alta foi Wal-Mart (+1,00%); as maiores quedas foram Chevron (-3,95%), United Technologies (-2,72%), American Express (-2,78%) e Goldman Sachs (-2,44%). As ações da Apple, que haviam caído 2,51% ontem, em reação a informes de redução na produção se deus smartphones por causa de estoques excessivos, perderam mais 1,96%.

O índice Dow Jones fechou em queda de 252,15 pontos (1,47%), em 16.906,51 pontos. O Nasdaq fechou em queda de 55,66 pontos (1,14%), em 4.835,77 pontos. O S&P-500 fechou em queda de 26,45 pontos (1,31%), em 1.990,26 pontos. (Com informações da Dow Jones Newswires)

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