Paulo Vitor/Estadão
Paulo Vitor/Estadão

Dólar cai pelo terceiro dia seguido e fecha abaixo dos R$ 3,90

Moeda cedeu 1,35% e fechou na menor cotação desde dezembro; cenário externo e desdobramentos da Lava Jato influenciaram bom humor do mercado e levaram à alta de 1,75% da Bolsa

Fabrício de Castro, Karla Spotorno, O Estado de S. Paulo

02 de março de 2016 | 11h57

O dólar passou pela terceira sessão consecutiva de perdas ante o real nesta quarta-feira, 2, sob influência do exterior e do cenário político brasileiro. Os desdobramentos da Operação Lava Jato reforçaram a percepção de que a presidente Dilma Rousseff pode perder o mandato, o que é bem visto pelo mercado. O dólar à vista cedeu 1,35%, aos R$ 3,8909, na menor cotação desde 29 de dezembro. 

A maior cotação do dia foi vista logo no início dos negócios, às 9h23, quando o dólar à vista foi negociado a R$ 3,9407 (-0,09%). Depois disso, a moeda à vista amplificou as perdas, ainda que, no exterior, o dólar durante a manhã sustentasse ganhos ante várias divisas, em função das perdas nas cotações do petróleo.

Analistas disseram que a aparente discrepância entre o que ocorria no Brasil e em outras praças era resultado direto do noticiário político. A notícia de que executivos da Andrade Gutierrez relataram, em delação premiada, pagamentos diretos a empresa contratada pela campanha de Dilma Rousseff em 2010 era citada nas mesas. A leitura era de que, mesmo que não sirva de motivo direto para a perda de mandato, a delação complica a situação de Dilma tanto no Congresso quanto no TSE.

Surgiram ainda notícias de que a Odebrecht teria feito pagamentos no Brasil a uma empresa da enteada do publicitário João Santana, marqueteiro das campanhas de Dilma. Os repasses, entre 2013 e 2014, seriam de R$ 134 mil.

Para piorar, o empresário José Adelmário Pinheiro, o Léo Pinheiro, dono da OAS, admitiu a pessoas próximas a possibilidade de fechar um acordo de delação premiada com investigadores da Procuradoria-Geral da República (PGR) responsáveis pela Operação Lava Jato. Um dos empresários mais próximos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ele deve contar, numa eventual colaboração, detalhes sobre o esquema de corrupção na Petrobras e sobre obras feitas pela empreiteira em imóveis de Atibaia e do Guarujá para a família do petista.

Estas informações sustentaram o dólar em baixa no Brasil ao longo da manhã e também à tarde, em meio à avaliação de que elas enfraquecem Dilma e, no limite, podem provocar uma mudança na Presidência. E com um novo governo, avaliam os players, o Brasil tem mais chances de se recuperar.

À tarde, houve relativa recuperação dos preços do petróleo no exterior e o dólar também passou a cair ante várias divisas de emergentes e exportadores de commodities. Isso intensificou o movimento de venda de divisas no Brasil e fez o dólar à vista marcar mínimas no início da tarde e, já perto do fechamento, às 16h50, ser cotado a R$ 3,8846 (-1,51%), no piso do dia. Depois, a divisa encerrou nos R$ 3,8909.

Bolsa. A Bovespa fechou em alta pelo terceiro pregão consecutivo, com valorização de 1,75% aos 44.893,48 pontos, o maior nível de 2016 e o maior desde meados de dezembro do ano passado. O giro financeiro foi de R$ 7,77 bilhões. Na mínima, marcou 43.841 pontos (-0,64%) e na máxima, 44.983 pontos (+1,95%).

A alta generalizada das empresas com as ações mais negociadas fomentou o movimento, sendo que o desempenho da Vale foi o mais forte. Os papéis da mineradora reagiram ao acordo entre os governos de Minas Gerais e Espírito Santo com a mineradora Samarco. "O acordo reduz a incerteza (sobre as consequências do desastre em Mariana para a Vale)", afirmou o analista da Guide Investimentos, Rafael Ohmachi. As ações da empresa chegaram a entrar em leilão depois da divulgação do fato relevante sobre o acordo e encerraram o pregão com uma valorização de 11,01% (ON, com direito a voto) e 8,12% (PNA, com preferência nos dividendos).

A Petrobráss também pressionou para cima o principal índice de ações da Bolsa na maior parte do dia. À tarde, as ações da companhia ignoraram o vaivém nos preços do petróleo nos mercados futuros de Londres e de Nova York e mantiveram-se em alta, fechando com um avanço de 6,40% (PN) e de 7,00% (ON). Na parte da manhã, as cotações haviam titubeado diante da notícia de que a Petrobrás perdeu um processo no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) e poderá ter de recolher cerca de R$ 7,3 bilhões aos cofres públicos.

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