Bovespa pode fechar 2008 em 80 mil pontos ou acima disso

"Os fundamentos do Brasil estão muito positivos", disse Fernando Fix, da Votorantim Asset.

Luciana Xavier e Célia Froufe,

16 de maio de 2008 | 20h17

A Bovespa deve manter vigor nos próximos meses e poderá fechar o ano em 80 mil pontos ou mesmo acima desse patamar, na avaliação do economista-chefe da Votorantim Asset Management, Fernando Fix.  - Ouça entrevista com Fernando Fix "Os fundamentos do Brasil estão muito positivos. A bolsa do Brasil está alternando entre o 1º e 2º lugar em termos de expansão de lucros no mundo, tendo ficado para trás em alguns momentos para a China. A configuração do investment grade reforça o call dos 80 mil pontos e o viés é de alta", disse ao AE Broadcast Ao Vivo. O setor de commodities, onde se encontra a Petrobras, deverá seguir como um dos melhores para se investir bolsa, até porque Fix acredita que as commodities de um modo geral continuarão bastante valorizadas. Segundo ele, uma elevação da projeção para a bolsa não está condicionada a um novo upgrade do Brasil, embora o economista tenha ressaltado que a notícia seria positiva. No mercado, são cada vez mais fortes os rumores de que a Fitch seria a próxima a colocar o Brasil na qualidade de país seguro com a nota de grau de investimento. "Há elevadíssimas chances de isso ocorrer no curto prazo", comentou. Com a perspectiva de petróleo em alta, Fix acredita que o dólar deve seguir enfraquecido perante outras moedas e não descarta a possibilidade de a moeda americana atingir R$ 1,60 ou mesmo ficar abaixo disso no curto prazo. Para o final do ano, no entanto, a estimativa é de que o dólar fique em R$ 1,65. Fix disse ainda que a criação do Fundo Soberano do Brasil (FSB) terá impacto pequeno no câmbio no curto prazo. A piora das expectativas do mercado para inflação nas pesquisas Focus deve persistir pelo menos até a próxima reunião do Copom, marcada para o dia 4 de junho, na opinião do economista. A Selic foi para 11,75%, após o BC subir a Selic em 0,50 pp, dando início ao ciclo de aperto monetário. "O cenário de inflação vem preocupando. O diagnóstico é de demanda aquecida, mas não há descontrole da inflação. Mas a piora da inflação deve levar o BC a ser mais cauteloso na política monetária", afirmou. A cautela maior poderá levar o Copom a elevar a Selic em 0,75 ponto porcentual em junho e colocá-la em 14,25% até o final do ano, disse Fix. Ele projeta uma seqüência de altas de 0,75 pp, 0,75 pp, 0,50 pp, 0,25pp e 0,25 pp até dezembro. Segundo Fix, o IGP-M de maio deve ficar perto de 2%, em algo como 1,80% ou 1,70%, e o IPA industrial, em 2%. "IPA em 2% não é brincadeira", observou. Em junho, Fix acredita que o IGP-M poderá ficar mais perto de 1%. A projeção para IPCA-15 de maio está em 0,65% e para IPCA de maio, em 0,58%. "Para o IPCA em 2008, a projeção está em 5,5%, com riscos maiores de alta do que de baixa e para 2009, em 4,70%, com algum viés de alta", informou. Fix disse que vê com bons olhos a possibilidade de o governo aumentar a meta de superávit primário de 3,8% para perto de 5% como maneira de ajudar com a política monetária no combate à inflação, mas critica um eventual aumento de compulsório. "O compulsório no Brasil já é bastante elevado." Antes da deterioração dos índices e expectativas de inflação, Fix esperava que a Selic terminasse em 13,25% e disse não ver problema no fato de o Banco Central ter dito no comunicado de abril que com a alta de 0,50 pp "parte relevante" do aperto havia sido feita e agora se ver obrigado a ser mais rigoroso nas doses de aumentos de juros. Segundo ele, com o cenário de inflação pior, o BC não pode ficar "amarrado" a sinalizações dadas no passado. "O BC tem que reagir aos indicadores da economia". EUA - Fix afirmou que enxerga desaceleração nos Estados Unidos, mas não recessão. "Os EUA estão longe das previsões mais catastróficas, de recessão profunda da economia. Os dados apontam para desaceleração", disse. Segundo ele, os EUA ainda estão "em plena digestão da bolha imobiliária", mas as perspectivas são de recuperação até o final deste ano e início de 2009. "Há intenso estímulo macroeconômico nos EUA. O estímulo monetário na atuação firme e rápida de Bernanke (Ben Bernanke, presidente do Federal Reserve) com os cortes de juros, o fiscal, cujo impacto deve chegar nos próximos meses, e o externo, onde se vê as exportações reagindo fortemente", comentou. Segundo Fix, a desaceleração dos EUA já afeta as exportações da China para aquele país, mas não chega a desacelerar a atividade chinesa. "A atividade chinesa está alta e chega a acelerar em alguns setores", ressaltou o economista.

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