Bovespa reage no fim do pregão e fecha estável

Investidores ensaiaram um movimento de venda de ações para embolsar ganhos, mas noticiário sobre a Grécia trouxe otimismo e reduziu as perdas da Bolsa paulista

Fabrício de Castro, O Estado de S. Paulo

20 Fevereiro 2015 | 18h08

Após o avanço registrado nas quatro sessões anteriores, a Bovespa ensaiou na sessão de hoje uma realização de lucros, com investidores vendendo ações e embolsando ganhos. Mas as atenções estavam voltadas para a Europa, onde ministros de Finanças da zona do euro discutiam o programa de resgate à Grécia. Depois que as primeiras notícias da reunião entre as autoridades saíram, os principais índices de Nova York ganharam fôlego e a Bovespa chegou a virar para o positivo, terminando muito próxima da estabilidade, aos 51.237,70 pontos (-0,11%). 

Na pontuação mínima do dia, em meio à expectativa com a reunião do grupo de ministros de Finanças da zona do euro (Eurogrupo), a Bovespa marcou 50.711 pontos (-1,14%). Na máxima, pela manhã, atingiu 51.450 pontos (+0,30%). Na semana, acumulou ganho de 1,19%. No mês, sobe 9,23% e, no ano, 2,46%. O giro financeiro totalizou meros R$ 3,745 bilhões hoje, o menor desde 29 de dezembro. 

Durante o dia, na Europa, o que se ouvia era que a dificuldade de um acordo ainda hoje estenderia a reunião do Eurogrupo pelo fim de semana. Além disso, além da Alemanha, a Bélgica declarou que a carta divulgada pelos gregos nesta semana não atendia às demandas da zona do euro. Uma fonte grega, fazendo um mea culpa, declarou ao jornal alemão Bild Zeitung que a carta divulgada ontem foi a "errada". A versão "correta", segundo ele, avançava mais ao aceitar as condições firmadas pela administração anterior. No final do dia, a Grécia, entretanto, negou que tivesse divulgado uma carta "errada". 

Este desencontro de informações manteve a tensão nos mercados financeiros tanto no exterior quanto no Brasil. No fim da tarde, surgiram os primeiros resultados do encontro. Uma fonte do governo grego declarou que um "amplo consenso" foi atingido sobre o comunicado conjunto que os ministros devem apresentar ao fim da reunião de hoje. Outras fontes declararam ainda que o rascunho do comunicado do Eurogrupo prevê a extensão de quatro meses no resgate da Grécia, menos do que os seis meses pedidos por Atenas.

Estas notícias fizeram os principais índices de ações em Nova York acelerarem, com reflexos também no Brasil. Há pouco, o Dow Jones tinha alta de 0,70%, aos 18.112 pontos, o S&P 500 avançava 0,41%, aos 2,106 pontos, e o Nasdaq subia 0,43%, aos 4.945 pontos. 

A Bovespa chegou a zerar as perdas e a subir um pouco com as notícias vindas da Europa, mas o fôlego comprador durou pouco e o índice à vista acabou terminando em leve baixa. Chamou a atenção o giro contido, nesta sessão comprimida entre o carnaval e o fim de semana.    

Setorialmente, Vale subiu com firmeza ajudada pelo avanço do dólar ante o real, que terminou a sessão com ganho de 0,24%, a R$ 2,8720, maior preço desde outubro de 2004. A ação ON da mineradora teve valorização de 2,35% e a PN subiu 2,05%. Destaque ainda para a Usiminas, em dia de teleconferência sobre resultados. Além de cobertura de posição vendida, rumores sobre fechamento de capital influenciaram a alta do papel. Usiminas PNA terminou o pregão com avanço de 7,96%%, seguida por CSN ON, com valorização de 4,36%. Gerdau PN avançou 0,39% e Metalúrgica Gerdau PN teve ganho de 1,09%. 

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