Bovespa recua na abertura à espera de dados nos EUA

O comportamento da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) ontem e nesta manhã ilustram bem o grau de instabilidade em que se encontra o mercado financeiro por conta das incertezas com a economia norte-americana, que devem durar até o final do mês, quando o Fed (o banco central dos Estados Unidos) volta a se reunir para decidir sobre a taxa básica de juro. Enquanto isso, os investidores vão reagir a cada indicador divulgado nos EUA, como está acontecendo esta manhã. O Ibovespa futuro que chegou a cair mais de 1% na abertura, reverteu o sinal e subiu 0,66%, repercutindo a queda do juro do título do Tesouro norte-americano de 10 anos, que veio abaixo de 5%, após queda de 4,8% nas encomendas de bens duráveis em abril, conforme divulgado nesta manhã pelo Departamento de Comércio do país. O número veio muito mais fraco do que o previsto, que era de variação zero em abril, refletindo desaceleração acentuada nas encomendas de aeronaves e computadores, o que sugere retração nos investimentos das empresas. No entanto, a Bovespa abriu em baixa de 0,02%, aos 36.103 pontos. Às 10h16, caía 0,13%, aos 36.061,6 pontos. O próximo dado aguardado do dia nos EUA é o de vendas de imóveis residenciais novos em abril, que sai às 11 horas, cuja mediana das previsões indica uma queda de 5,2%, para a média anualizada de 1,150 milhão de unidades. As bolsas em Nova York, que ontem fecharam em baixa, registravam alta de 0,24%, tanto o Nasdaq como o S&P 500. Mas na Europa, o sinal permanece negativo, com as principais bolsas recuando por volta de 1,5%. O mercado europeu está se ajustando ao encerramento negativo de Wall Street, além da preocupação com a transmissão da gripe aviária entre humanos, após a morte seis pessoas de uma mesma família na Indonésia. O risco Brasil continua subindo e chegou a 293 pontos esta manhã. A avaliação é de que o mercado deve continuar nervoso e ninguém sabe dizer até quando vai esse ajuste nos emergentes, que vem registrando saídas de investidores nas últimas semanas. "Está complicado e vai continuar complicado", disse uma fonte, observando que até a falta de pretexto é motivo para os investidores venderem ações. A Bovespa já registra quase R$ 1 bilhão de saldo de capital externo negativo em maio. Até o 19 de maio, a Bolsa paulista registrava saída de R$ 907,784 milhões.

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