Bovespa segue mercados europeus e tem dia de queda

Por volta das 12 horas, o índice Bovespa (Ibovespa) caía 1,30%, aos 60.049 pontos 

Sueli Campo, da Agência Estado,

19 de maio de 2010 | 10h12

O euro fraco continua derrubando os ativos de risco e a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), que abriu em baixa, pode vir a testar hoje novos pisos, mesmo depois da queda de ontem, de 3,22%, que já resulta numa desvalorização de 9,90% no mês de maio. A avaliação dos especialistas é de que se a situação na Europa seguir se deteriorando - e não há até agora no noticiário nada que indique o contrário - os investidores estrangeiros devem continuar desmontando posições no mercado brasileiro de ações. Do ponto de vista de análise gráfica, a Bovespa ainda tem espaço para descer mais um pouco, até 55 mil/57 mil pontos, se o cenário externo seguir piorando. Por volta das 12 horas, o índice Bovespa (Ibovespa) caía 1,30%, aos 60.049 pontos.

Os investidores não gostaram da decisão da Alemanha de proibir vendas a descoberto das ações de dez bancos e seguradoras e dos CDS de bônus da zona do euro a partir de hoje até 31 de março de 2011, numa tentativa de conter a especulação com os papéis e reduzir a volatilidade. A medida provocou um alvoroço no mercado global ontem à tarde, aprofundando o grau de aversão ao risco, e segue influenciando os preços dos ativos nesta manhã. Para muitos analistas, a medida do governo alemão foi vista como um sinal de que a situação pode estar pior do que se imagina.

A medida, adotada unilateralmente pela Alemanha, será discutida nesta sexta-feira pelos ministros de Finanças da União Europeia. "Essas medidas serão mais eficientes se forem coordenadas no nível europeu", disse Michel Barnier, comissário europeu para regulação financeira. O euro, que logo cedo bateu a mínima de US$ 1,2143, mostrava recuperação e voltou a ser cotado no patamar de US$ 1,22. O mercado está na expectativa do discurso do presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, durante a cerimônia de colocação da pedra fundamental das obras das novas instalações do BCE em Frankfurt, Alemanha.

Na Europa, a queda das bolsas é maior - na faixa de 1,5% ou mais - porque ontem elas fecharam no positivo, antes da deterioração geral dos mercados e da medida adotada pela Alemanha. Nos Estados Unidos, os índices futuros de ações registram mais contida, de 0,30%.

Em mais um dia de perdas para o mercado de metais, a Vale volta ao noticiário por outra razão. A mineradora brasileira propôs às siderúrgicas chinesas aumentar o preço do minério de ferro para o terceiro trimestre, incluindo o frete, em 23%, em comparação com o valor do segundo trimestre, para US$ 160 a tonelada, afirmou a agência de notícias russa Interfax. A proposta significaria uma alta de cerca de 138% em relação ao preço de referência da companhia no ano passado.

No setor bancário, as ações do Itaú Unibanco devem se ajustar à notícia de que o Bank of America (BofA) venderá a participação de 8,4% das ações preferenciais e 2,5% das ordinárias que detém no Itaú Unibanco. A venda da participação das PNs que o BofA detém na forma de recibos de ações negociados em Nova York (ADS), ocorrerá por meio de uma oferta secundária de ADS de circulação restrita e destinada a investidores qualificados. O preço de aquisição de cada ação ON corresponderá ao preço de aquisição de uma ADS a ser definido no âmbito da oferta mencionada.

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