Bovespa segue mercados internacionais e amplia queda

Às 11h40, o Ibovespa caía 3,13%, aos 57.823 pontos, mesmo depois de ter perdido 8,48% nos últimos cinco pregões

Sueli Campo, da Agência Estado,

20 de maio de 2010 | 10h15

A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) abriu em forte baixa hoje com o peso das bolsas internacionais e da fragilidade do euro. Ao longo da manhã, a queda só aumentou. Às 11h40, o índice Bovespa (Ibovespa) caía 3,13%, aos 57.823 pontos, mesmo depois de ter perdido 8,48% nos últimos cinco pregões, voltando ao nível de setembro do ano passado. Os analistas já não arriscam prognósticos sobre o comportamento da Bolsa nesses dias turbulentos.

Esta manhã, especulações não confirmadas de que será anunciada uma proibição de vendas a descoberto (quando o investidor negocia um contrato futuro de um ativo sem possuí-lo no momento, buscando que o preço caia para obter lucro na data de liquidação) para toda a Europa deixou os investidores nervosos no exterior, o que colocou ainda mais pressão sobre os ativos de risco. Na terça-feira à tarde, a Alemanha proibiu as vendas a descoberto de bônus europeus, CDS e ações das dez maiores instituições financeiras, o que acentuou a aversão ao risco.

Ao mesmo tempo, o mercado reagiu mal ao aumento acima do esperado dos pedidos semanais de auxílio-desemprego nos Estados Unidos, que cresceram 25 mil, quando o previsto era queda de 4 mil.Nos EUA, Dow Jones recuava 2,62%, Nasdaq, 3,21% e S&P 500, 2,87%.

Em Paris, a queda chegava a 3,64%; em Frankfurt a Bolsa cedia 2,95% e, em Londres, recuava 2,41%. O euro era negociado acima da mínima, a US$ 1,2384, ainda em meio a rumores sobre a possibilidade de intervenção do Banco Central Europeu (BCE).

A crise de confiança voltou a derrubar os preços do petróleo, que já era cotado esta manhã a US$ 68,80 por barril, queda de 1,57%. Os metais iniciaram a manhã mostrando recuperação, mas sem firmeza. As ações da Vale têm um motivo para uma queda mais contida hoje. A mineradora brasileira e a anglo-australiana Rio Tinto conseguiram fechar com as siderúrgicas japonesas um reajuste de preço do minério para o período de abril a junho em cerca de US$ 110 por tonelada para o pó de minério de ferro brasileiro e cerca de US$ 120 por tonelada para o pó de minério de ferro da Austrália.

Por outro lado, o rebaixamento da recomendação para as ações das empresas britânicas do setor de mineração pelo Bank of America Merrill Lynch pode ter efeitos negativos também na mineradora brasileira. O banco cita expectativas de que a tentativa da China esfriar o setor de construção prejudique a demanda por metais. Segundo o BofA Merrill Lynch, essa preocupação foi exacerbada pela crise europeia. O banco cita ainda o imposto recentemente proposto pela Austrália sobre o lucro das mineradoras.

(Texto atualizado às 11h40)

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