Bovespa sobe 0,70% na abertura e deve manter otimismo

A Bolsa de Valores de São Paulo começou o pregão em alta e ao que tudo indica, o otimismo continua em cena hoje. As bolsas da Ásia fecharam todas em alta e as bolsas européias operam com ganhos, ainda motivadas pelos comentários do presidente do banco central americano, Ben Bernanke, que ontem sugeriu que o ciclo aumento dos juros nos EUA pode estar chegando ao fim. O índice Ibovespa registrava alta de 0,70% às 10h10, a 37.043 pontos, na esteira dos índices futuros de Nova York, onde o Nasdaq subia quase 1% e o S&P 500 avançava 0,40%. Além do efeito Bernanke, os índices futuros de ações norte-americanos são impulsionados pelos resultados favoráveis dos balanços da Apple e da Motorola, divulgados ontem depois do fechamento. As ações dessas companhias disparavam cerca de 10% no pré-mercado, deixando em segundo plano os balanços desapontadores divulgados pela Intel e Qualcomm. Na Europa, as bolsas operam com sinal positivo, mas de forma moderada. A Bolsa de Paris, em alta de 0,95%, é a que registra maior valorização. Hoje, segundo operadores, é um dia importante para avaliar se a injeção de ânimo trazida ontem pelo BC americano vai ser mais duradoura. Hoje, o presidente do Fed volta a falar às 11 horas, desta vez na Câmara dos EUA, e a expectativa é de que repita o discurso feito na véspera aos senadores. As atenções devem ficar concentradas também na divulgação da ata da reunião do Fed de final de junho, quando o juro básico nos EUA foi elevado em 0,25 ponto porcentual, a 5,25% ao ano. Apesar da melhora do cenário internacional, analistas dizem que ainda é cedo para dizer se o mercado de ações vai voltar à fase positiva que estava antes de maio. "O mercado estava muito comprimido com expectativas ruins e Bernanke colocou panos quentes. Soltou a mola dos mercados. Essa descompressão traz novo ânimo na medida em que afasta o risco de estagflação, mas a volatilidade não acabou", diz o diretor de uma instituição financeira. Para que o quadro positivo continue, a Bovespa precisa de dinheiro novo. Ontem, embora tenha disparado 4,7%, o volume de negócios na Bolsa, de R$ 2,3 bilhões, foi fraco. A torcida é para que a melhora externa tenha sustentação e que isso anime os investidores estrangeiros a voltarem a comprar ações brasileiras. Do lado dos fundamentos macroeconômicos brasileiros, as boas notícias se sucedem. A decisão do Comitê de Política Monetária do Banco Central brasileiro de baixar a taxa Selic (juro básico da economia) para 14,75% ao ano já era esperada e não deve provocar ajuste na Bolsa, mas se enquadra no rol do noticiário positivo.

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