Bovespa sobe 14,73% no mês; Fed não estraga a festa

Depois de muita oscilação, a Bovespa encerrou os negócios no positivo nesta terça-feira. O principal fato do dia só veio às 17h14, quando o Federal Reserve divulgou o comunicado da sua reunião de hoje, a última com a participação de Alan Greenspan. O documento do Fed aumentou ainda mais a volatilidade da bolsa paulista. Em apenas 45 minutos, desde o comunicado até o fechamento, a bolsa girou cerca de R$ 1 bilhão. O Índice Bovespa acabou fechando em alta de 0,37%, com 38.382 pontos. Foi o décimo recorde de pontuação deste mês, que teve 22 dia úteis. Ou seja, a Bovespa fechou em nível recorde em quase metade dos pregões de janeiro. A bolsa operou hoje entre a máxima de 38.456 pontos (+0,56%) e a mínima de 37.630 pontos (-1,60%). Com esse resultado, a Bovespa encerrou janeiro com valorização de 14,73%. O volume financeiro disparou, somando R$ 3,038 bilhões. A volatilidade já vinha sendo o mote principal da Bovespa até o momento em que o Federal Reserve divulgou o comunicado da sua reunião de hoje, a última com a participação de Alan Greenspan. Mas depois da divulgação do documento, a volatilidade aumentou, com correspondente elevação no volume de negócios. Até as 17 horas, o giro da bolsa estava em torno de R$ 2 bilhões. No final do dia, pouco depois das 18h, somava pouco mais de R$ 3 bilhões. Logo após o anúncio do Fed, o Ibovespa chegou a operar em alta, acompanhando a reação positiva de Wall Street ao comunicado. Mas essa reação durou pouco e tanto as bolsas em Nova York quanto a bolsa paulista entraram em terreno negativo. Mesmo assim, o Ibovespa oscilou bastante, o tempo todo, num movimento frenético nos negócios. "O mercado se estressou depois do Fed. Mas é assim mesmo. E hoje, com todo esse fluxo de capital, esse estresse pareceu ainda maior", comentou um operador. O Fed, na verdade, acabou fazendo aquilo que todos esperavam: elevou a taxa dos Fed Funds em 0,25 ponto porcentual, para 4,50% ao ano. Mas também tirou do comunicado a palavrinha mágica "comedido". Nas últimas reuniões, essa palavra indicava ao mercado que o banco central norte-americano seria "comedido" no aperto monetário. Ao mesmo tempo, o Fed afirmou que "julga que algum aperto adicional da política monetária poderá ser necessário para manter aproximadamente equilibrados os riscos ao cumprimento do crescimento econômico sustentável e da estabilidade dos preços". Como amanhã Greenspan passará o cargo de presidente do Federal Reserve para Ben Bernanke, os mercados ficaram "ligeiramente perdidos", como disse um operador, já que ainda não se sabe exatamente como agirá o novo todo-poderoso do Fed. A poucos minutos do fechamento da Bovespa, no entanto, o índice de ações reduziu perdas e de uma maneira muito rápida entrou em terreno positivo para ainda conseguir fechar com alta de 0,37%. "O fluxo de investimento está muito forte no Brasil. É difícil brigar contra essa realidade. E os juros nos EUA ficaram dentro do esperado, em 4,50%. Nesse ponto, o Fed não surpreendeu as bolsas. E a expectativa é de que o juro pare nos 4,75%. Por enquanto, não parece haver risco de interrupção no fluxo estrangeiro", comentou um operador, ponderando sobre o mercado depois do "tiroteio pós-divulgação" do comunicado do Federal Reserve. "Além disso, as bolsas em Nova York reagiram de forma comedida, como diria o Greenspan", afirmou o operador. Às 18h50, em Nova York, o Dow Jones operava em baixa de 0,20%, o Nasdaq caía 0,09% e o S&P 500 recuava 0,33%. O risco Brasil, por sua vez, estava estável, em 262 pontos base. Até o dia 26, o saldo líquido de capital estrangeiro na Bovespa era positivo em R$ 1,781 bilhão. De acordo com fonte do mercado, no dia 27 teriam ingressado mais R$ 480 milhões. "Está entrando muito dinheiro de estrangeiro. Mas também já saiu bastante de pessoa física. Se essa equação se inverter, a bolsa vai experimentar uma realização de lucros forte", disse um operador. Entre os papéis que compõem o Índice Bovespa, as maiores altas foram Embraer ON (+5,29%), Embraer PN (+4,78%) e Itaubanco PN (+3,30%). As maiores baixas foram Cesp PN (-4,61%), Embratel Par PN (-4,26%) e Tele Leste Celular PN (-3,68%).

Agencia Estado,

31 de janeiro de 2006 | 19h45

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