Bovespa sobe e deve dar continuidade aos ganhos

A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) abriu hoje em alta, mostrando disposição de dar continuidade aos ganhos da véspera. O cenário externo, que ontem foi ofuscado pelo anúncio da reestruturação societária da Telemar combinado com o vencimento de opções, deve voltar ao primeiro plano. Às 10h25, a Bovespa subia 1,05%, aos 38.867 pontos. O petróleo acelerou a alta e chegou a valer US$ 72,20 esta manhã em Londres (contrato futuro para entrega em junho), refletindo o nervosismo dos investidores com os possíveis desfechos da tensão geopolítica entre Irã e Estados Unidos num momento de crescimento de demanda. Na New York Mercantile Exchange (Nymex), o barril do óleo está sendo negociado esta manhã acima de US$ 70. Esses novos patamares do preço do petróleo devem manter o tom de cautela nos negócios. O juro do título do Tesouro norte-americano de 10 anos, que estava na faixa de 5%, desacelerou para 4,98%, após a divulgação do índice de preços ao produtor (PPI) de março. O PPI ficou em 0,5% ante previsão de alta de 0,45, mas o núcleo (exclui os preços de energia e alimentos) veio melhor do que o esperado. Subiu apenas 0,1%. Outro dado que contribui para a desaceleração do rendimento dos juros públicos nos Estados Unidos é a queda de 7,8% no número de obras iniciadas em março, muito abaixo da estimativa de recuo de 4,7%. Em Wall Street, as bolsas ampliaram os ganhos após os dados. O Nasdaq futuro subia 0,18% enquanto o S&P 500 avançava 0,28%. O desempenho dos juros dos títulos do Tesouro dos EUA pode ser influenciado ainda hoje pelo conteúdo da ata da última reunião do Fed, o banco central norte-americano, de 28 de março, que será divulgada às 15 horas. Os investidores vão tentar ver no documento sinais de mais uma ou duas altas de juros nos EUA. Se a ata sinalizar que o Fed está confiante na atividade econômica será um sinal ruim para os que acham que o ciclo de alto do juro será interrompido logo. Caso o Fed manifeste dúvida sobre o desempenho da atividade, o mercado pode interpretar como um sinal de parada técnico na elevação do juro uma alta mais espaçada. As bolsas, por sua vez, podem ser influenciadas pelos resultados corporativos, previsto para esta terça-feira. Os balanços considerados mais importantes serão divulgados após o fechamento: IBM, Motorola, Texas Instruments e Yahoo! Aqui, as atenções estarão voltados para Telemar, cujas ações ON fecharam ontem em alta de 29,01%, reagindo aos termos da reestruturação societária, que prevê a migração de todos papéis da empresa para as ordinárias e a criação da OI Participações. A expectativa é se os papéis vão manter o mesmo ritmo de alta da véspera, para permitir que a operação seja concretizada, conforme estabelece a proposta apresentada. As saídas de capital externo podem começar a dar motivo para preocupação. Depois da retirada de R$ 456,767 milhões no dia 12, que fez o saldo acumulado no mês de abril ficar negativo em R$ 118,767 milhões, há informações de que no dia seguinte teria havido uma saída de R$ 75 milhões. Pode ser um movimento temporário, mas chama atenção o fato de as saídas estarem ocorrendo num momento em que o juro do título do Tesouro dos EUA de 10 anos bateu o nível de 5% ao não. Os investidores estrangeiros acumulam ganho de 25,56% em dólar do início deste ano até ontem e de 15% em reais no mesmo período. Eles podem estar embolsando lucros enquanto aguardam sinais mais claros sobre o rumo do juro nos EUA, diz um analista.

Agencia Estado,

18 Abril 2006 | 10h27

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