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Dólar cai com prosseguimento do impeachment e fecha a R$ 3,12

Moeda chegou a atingir os R$ 3,11 no início das negociações, mas reduziu perdas com derrota da equipe econômica no projeto da dívida dos Estados; Bolsa recuou 1,33% após três pregões perto da estabilidade

Paula Dias, O Estado de S.Paulo

10 de agosto de 2016 | 11h04

O dólar comercial encerrou a sessão desta quarta-feira, 10, em baixa de 0,40%, cotado a R$ 3,1295, com o prosseguimento do processo de impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff. Esta é a menor cotação desde 2 de julho de 2015, quando a divisa fechou aos R$ 3,0966. No ano, o dólar acumula perdas de 20,97%.

A moeda chegou a ser negociada aos R$ 3,1154 (-0,85%) na abertura da sessão. Durante a tarde, porém, reduziu perdas e tocou os R$ 3,1451 (+0,10%), em meio a um ajuste de posições considerado natural por operadores, uma vez que a moeda americana acumula perdas nas últimas sete sessões. A influência externa também contribuiu para o movimento, visto que a moeda americana perdeu força diante da grande maioria das divisas de internacionais. 

Mais que confirmação de que a presidente afastada, Dilma Rousseff, virou ré no processo de impeachment, o mercado reagiu ao placar da votação dos senadores, de 59 a favor e 21 contrários à pronúncia. A leitura foi de que o governo interino se mantém forte no Congresso, ainda que em meio a concessões. Nesse ambiente, o mercado minimizou a derrota do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, que viu ser aprovado na Câmara o texto-base do projeto de renegociação dos Estados sem limitar a concessão de reajustes aos servidores, ponto até então considerado pelo ministro como "inegociável". 

A votação gerou um mal estar tardio e pontual no mercado, em meio à proliferação de análises questionando a capacidade de Meirelles conseguir avançar no Congresso com as medidas de ajuste fiscal. O dólar, que já havia iniciado o dia em baixa, chegou a inverter rapidamente a tendência no final da manhã, atingindo a máxima de R$ 3,1451 (+0,10%). Momentos depois, quando a cotação já voltava ao terreno negativo, Meirelles falou à imprensa e negou que a equipe econômica esteja perdendo força. O ministro reforçou que o ponto crucial para o ajuste fiscal dos Estados, que é o teto para o crescimento dos gastos, foi mantido no texto que segue agora para o Senado.

 

Mercado de ações. A Bolsa também registrou perdas com investidores vendendo ações para a realização de lucros e definiu uma tendência após três pregões seguidos perto da estabilidade. O índice Bovespa, o principal do mercado brasileiro, fechou em baixa de 1,33%, aos 56.919,77 pontos, não muito distante da mínima do dia, quando foi aos 56.735 pontos (-1,65%).

Mais cedo, antes do início dos negócios em Wall Street, o índice à vista chegou a subir e bater máxima aos 57.953 pontos (+0,46%), mas não resistiu à entrada dos investidores estrangeiros a partir das 10h30 executando ordens de venda na Bolsa brasileira. O giro financeiro somou R$ 6,40 bilhões. No mês de agosto, a Bovespa acumula perdas de 0,68%, enquanto no ano registra valorização de 31,31%. Além do cenário político doméstico, a piora dos mercados acionários internacionais, em mais um dia de fraqueza do petróleo, também influenciou o movimento de baixa.

As ações da Petrobrás terminaram em queda de 3,80% (ON, com direto a voto) e 2,69% (PN, preferência no recebimento de dividendos), na esteira da desvalorização de quase 3,0% do petróleo no mercado internacional. O sinal negativo dos contratos futuros da commodity foram determinados principalmente pelo avanço nos estoques de petróleo. Os estoques de gasolina e destilados, por sua vez, foram reduzidos.

Já os papéis da Vale recuaram 4,74% (ON) e 3,69 (PNA), penalizados pela correção no preço do minério de ferro. O insumo interrompeu uma sequência de altas e hoje caiu 1,1% no mercado à vista, para US$ 60,7 a tonelada seca, de acordo com dados do The Steel Index.

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