Bovespa sobe mais de 1% com alívio no cenário externo

Pela primeira vez nesta semana, a Bolsa de Valores de São Paulo teve uma abertura positiva. O índice de ações Ibovespa à vista subia 1,18% às 11h11, a 37.728 pontos, refletindo o alívio dos investidores com a melhora do cenário externo e com a perspectiva de cortes maiores de juro nas próximas reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central. A redução de 0,75 ponto porcentual, para 16,5% ao ano, da taxa básica de juro decidida ontem pelo Copom já estava precificada, mas a surpresa ficou por conta do comunicado divulgado após a reunião, que deixou de citar preocupações com a inflação, e com a falta de unanimidade do comitê - três dos noves diretores votaram por corte de 1 pp e 6 por redução de 0,75 pp. Com isso, aumentou a expectativa de queda maior da Selic em abril, o que ganhou ainda mais força após o resultado decepcionante da produção industrial em janeiro ante dezembro. A produção caiu 1,3% em janeiro, contrariando até os mais pessimistas, que esperavam retração de 0,40%. A projeção dos juros futuros na Bolsa de Mercadorias & Futuros está desabando por conta desse dado. Além das notícias domésticas, o que traz tranqüilidade ao mercado é a acomodação dos juros dos títulos do Tesouro dos EUA (Treasuries) num nível pouco acima de 4,70% e a alta dos índices futuros de ações em Nova York. O Nasdaq e o S&P 500 operavam em alta de 0,24% por volta das 10h55. Segundo analistas ouvidos pela Agência Estado, a Bolsa paulista deve ter um pregão mais calmo hoje, se não vier nenhum susto externo. Porém, só a partir de amanhã, com a divulgação dos dados de emprego nos EUA, será possível ter uma idéia mais precisa do rumo do mercado brasileiro de ações. Amanhã, aqui no Brasil, também será divulgado o IPCA de fevereiro. Na Europa, as bolsas também retomaram o sinal de alta, influenciadas por balanços favoráveis. No Japão, o índice Nikkei fechou em alta de 2,62%, comemorando o fim das incertezas, após o Banco Central do Japão ter decidido pelo fim da sua política de relaxamento monetário. A favor da Bolsa hoje há ainda os balanços de empresas divulgados entre ontem à noite e hoje de manhã, que vieram bons, acima das expectativas dos analistas. Telemar registrou lucro de R$ 1,114 bilhão em 2005, crescimento de 48% ante 2004, levemente acima das projeções dos analistas ouvidos pela AE, de R$ 952 milhões. A Usiminas lucrou R$ 3,918 bilhões, crescimento de 29,78% ante 2004. Analistas esperavam em média R$ 3,28 bilhões. Ontem, as ações de Usiminas subiram 3,76%, já antecipando os números bons do balanço. A CPFL teve lucro líquido recorde, de R$ 1,021 bilhão, acréscimo de 266% em relação a 2004, o maior já registrado por uma empresa de energia no País, segundo a empresa. Já o lucro do Pão de Açúcar caiu 30,5%, para R$ 257 milhões.

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