Carrasco Ragel/Estadão
Carrasco Ragel/Estadão

Bovespa sobe mais de 1% em dia de recuperação

Bolsa avançou influenciada pelo mercado externo e com a ajuda de papéis de empresas de siderurgia, financeiras e de papel e celulose; dólar teve a 3ª queda consecutiva e fechou a R$ 3,46

Paula Dias, Lucas Hirata, Silvana Rocha, O Estado de S.Paulo

16 Junho 2016 | 18h35

A Bovespa teve uma sessão de recuperação e fechou em alta de 1,02%, nesta quinta-feira, 16, aos 49.411,61 pontos, na máxima do dia. Pela manhã, a Bolsa chegou a cair 1,73%, igualmente influenciada pelo mercado externo. O volume de negócios totalizou R$ 5,95 bilhões, próximo da fraca média diária de junho.

O dia começou com aversão a risco e queda das bolsas de valores na Europa e Estados Unidos, contaminando também os mercados acionários de países emergentes. Incertezas quanto à política monetária dos EUA e sobre a permanência do Reino Unido na União Europeia voltaram a determinar movimentos defensivos. O cenário político trouxe cautela e o presidente em exercício, Michel Temer, se defendeu de acusações feitas em delação premiada do ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado, oficializada ontem. Em discurso pela manhã, Temer classificou as afirmações de "mentirosas" e "criminosas". 

A recuperação começou já no início da tarde, com as bolsas americanas reduzindo perdas. A Bovespa inverteu a tendência pouco depois das 13h, antes mesmo da virada em Wall Street. A reação veio por meio de ações de setores como siderurgia, financeiro e papel e celulose. Entre os destaques do dia estiveram Copel PNB (+4,25%), Suzano PNA (+2,77%) e CSN (+2,84%). As ações da Vale tiveram desempenhos diferentes, com Vale ON em alta de 1,53% e Vale PNA em baixa de 0,08%. O mesmo aconteceu com os papéis da Petrobrás, com alta de 1,22% (ON) e baixa de 0,12% (PN).  

Entre as ações que fazem parte do Ibovespa, a maior queda ficou com JBS ON, que recuou 2,66%. A empresa foi citada na delação de Sérgio Machado e estaria relacionada a uma propina de R$ 40 milhões que teria sido paga a senadores da bancada peemedebista. Em nota, a JBS afirmou que as doações para campanhas eleitorais foram realizadas de acordo com as regulamentações do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). "A empresa esclarece que o seu diretor de Relações Institucionais não participou de nenhuma reunião e lamenta que mais uma vez a empresa esteja envolvida em acusações que agridem, de forma infundada, sua imagem, marcas, reputação e conduta ética", escreveu na nota. 

Dólar. Após uma tarde de volatilidade, o dólar fechou em baixa ante o real, em linha com o viés negativo do Dollar Index. A moeda americana encerrou pela terceira sessão seguida com perdas, de 0,17%, aos R$ 3,4654 no mercado à vista, depois de passar a manhã em território positivo. O volume movimentado somou cerca de US$ 1,404 bilhão. 

O ambiente de negócios melhorou no exterior, com alta nos mercados acionários de Nova York, após o fechamento das bolsas europeias. Segundo operadores de câmbio, a saída dos investidores da Europa abriu caminho para redução da aversão ao risco decorrente de preocupações com uma eventual saída do Reino Unido da União Europeia. Com os temores minimizados, foi observada alguma cobertura de posições por parte de daqueles excessivamente vendidos. 

O assassinato da deputada britânica Jo Cox, no norte da Inglaterra, pela manhã, repercutiu nos mercados. Ela era contrária à saída do Reino Unido da União Europeia. As atividades da campanha eleitoral para o referendo na próxima semana foram suspensas por ambos os grupos - favoráveis e contra o Brexit. Diante do ataque e seus desdobramentos, a libra inverteu a tendência de queda e passou a subir ante o dólar, mantendo o sinal no fim da tarde.

Também pesaram no dólar as perspectivas de que o Federal Reserve poderá demorar para elevar os juros nos EUA. O operador Cleber Alessie Machado, da H.Commcor DTVM, ressaltou que há espaço para o dólar cair ante o real. No entanto, as preocupações em torno do "Brexit" limitam o enfraquecimento do dólar. 

Internamente, o cenário político continuou em segundo plano. Por enquanto, na visão do especialista da H.Commcor, as citações do ex-presidente da Transpetro Sergio Machado sobre o presidente em exercício Michel Temer não são suficientes para desencadear uma mudança de governo. 

Sérgio Machado vinculou em sua delação premiada o presidente em exercício, Michel Temer, a um esquema de propinas que, segundo ele, vigorou por cerca de 10 anos na subsidiária de logística da Petrobras. O ex-dirigente da Transpetro também informou que abasteceu com recursos de propina ao menos outros 24 políticos de sete partidos (PMDB, PSDB, PT, PP, DEM, PSB, PC do B). Entre os citados, estava o ministro Eduardo Henrique Alves, que pediu hoje demissão do cargo na pasta do Turismo.

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