Bovespa sustenta alta enquanto espera decisão do Fed

Depois de semanas de angústia, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) sinaliza que deve esperar a decisão do Comitê de Mercado Aberto (Fomc) do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) com tranqüilidade. Afinal, há mais de um mês o mercado vem se preparando para o pior: continuidade do aperto monetário norte-americano. O Ibovespa abriu em alta e às 10h16 avançava 0,85%, aos 35.31 pontos. Apesar do sinal positivo, tanto aqui como nos EUA, onde as bolsas aceleravam o ganho reagindo aos indicadores econômicos, divulgados hoje, que não trouxeram surpresas, o mercado deve se dividir nesta quinta-feira em antes e depois do Fomc. O mercado dá como certo que o juro norte-americano vai subir 0,25 ponto porcentual para 5,25% ao ano, mas a atenção deve se concentrar no comunicado divulgado no final da reunião, às 15h15. Muitos analistas esperam um comentário idêntico ao do último encontro e, nesse caso, pode ter um alívio de curto prazo. Por volta das 10 horas, os índices das Bolsas de Nova York - Nasdaq (+0,27%) e Dow Jones (+0,34%) - subiam, influenciados pela percepção de que a economia norte-americana está aquecida o suficiente para não sofrer os efeitos de uma nova alta de juro. O dado do PIB divulgado esta manhã corrobora esse sentimento. O crescimento da economia do país no primeiro trimestre foi revisado para 5,6%, em linha com as previsões. No quarto trimestre do ano passado, o PIB avançou apenas 1,7%. Consumo Outro dado favorável foi o índice de preços para gastos com consumo pessoal (PCE), que subiu 2% na revisão final do PIB, mesma variação da prévia divulgada anteriormente. O núcleo (que exclui os preços de energia e alimentos) do PCE também se manteve em 2%. Na Europa, as bolsas operam em alta de quase 1,5%, repercutindo o fechamento positivo de ontem em Nova York. Além da melhora aparente de humor em Wall Street, a recuperação da Bolsa se deve também ao fato de ter cessado um pouco o fluxo de venda. A Bovespa registrou no dia 26 mais um dia de entrada líquida de capital externo, no valor de R$ 33,548 milhões, o segundo superávit consecutivo após os 13 dias seguidos de déficits. No mês, a saída líquida de recursos externos está em R$ 2,427 bilhões e no ano soma R$ 717,562 milhões. Se houver alívio externo, analistas dizem que a Bolsa pode voltar aos 37 mil pontos. O mercado deve monitorar hoje também o leilão de energia nova, que acontece pela manhã, promovido pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Não será um leilão grande, mas pode mexer com os preços das elétricas, como tem acontecido nos últimos dias. Ontem,as ações de Eletrrobras subiram mais de 4%. O objetivo desse leilão é suprir 4,5% da demanda total de energia projetada pelas distribuidoras para 2009. Esse porcentual, que equivale a cerca de 750 megawatts médios, foi o que ficou faltando para se completar todo o abastecimento de 2009 no leilão de energia nova realizado pelo governo em dezembro do ano passado.

Agencia Estado,

29 de junho de 2006 | 10h21

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