Bovespa tem novo dia de queda influenciada por eleições e cenário no exterior

Bolsas nos EUA recuam com dado sobre emprego no país; seguindo a tendência de desvalorização das moedas de emergentes, dólar sobe no Brasil

Olívia Bulla, Lucas Hirata, O Estado de S. Paulo

16 de outubro de 2014 | 13h11

SÃO PAULO - A aversão ao risco continua ditando o ritmo dos mercados domésticos nesta quinta-feira, 16, que também são influenciados pela corrida presidencial no Brasil. A disputa vai ser definida no voto a voto. Esses fatores internos e externos embutem perdas aceleradas da Bovespa, mesmo com o avanço acima do esperado da produção industrial norte-americana em setembro, no maior aumento mensal em três anos.

Às 13h15, o Ibovespa caía 2,54%, aos 54.711 pontos. Na máxima, atingiu 56.123 pontos e na mínima, 54.132 pontos. Neste horário, as ações ON e PN da Petrobrás tinham perdas de -5,63% e -5,81%, respectivamente. 

Os negócios locais repercutem a situação de empate técnico entre os candidatos Aécio Neves (PSDB) e Dilma Rousseff (PT) na corrida pelo segundo turno das eleições presidenciais, após as pesquisas Ibope e Datafolha confirmarem os números divulgados na semana passada. Ambos os levantamentos mostraram a mesma vantagem numérica do tucano frente à petista, com 51% das intenções de votos válidos contra 49%, respectivamente. 

A margem de erro de ambas as pesquisas é de dois pontos porcentuais. O Ibope ouviu 3.010 eleitores entre os dias 12 e 14 de outubro, enquanto o Datafolha entrevistou 9.081 eleitores entre terça-feira e ontem. Agora, as atenções se voltam para o novo debate entre Dilma e Aécio na TV, às 18 horas. 

É válido lembrar que mesmo com o tombo de ontem, de -3,24%, o Ibovespa ainda acumula ganho de 2,93% desde o pregão seguinte ao primeiro turno das eleições, quando o tucano surpreendeu o mercado com sua arrancada nas urnas. 

Dólar. As moedas de mercados emergentes estão sendo afetadas pela aversão ao risco que tomou grande parte dos mercados internacionais nos últimos dias, levando as divisas a perderem terreno contra o dólar. Contudo, segundo o analista Pete Lannigan, da CRT Capital, não há um sentimento de "pânico" nos ativos destes países, quando comparado às fortes oscilações em títulos soberanos e ações de países desenvolvidos.

Além disso, o nível de perdas está bem longe do movimento observado em janeiro, quando houve um grande temor com um aperto monetário nos Estados Unidos, afirmou Lannigan. "Não é uma enorme onda de vendas do tipo 'tire-me daqui' ainda" em mercados emergentes, em parte porque há tão pouca liquidez em alguns ativos desses mercados que os investidores sabem que não serão capazes de vendê-los a um bom preço.

No horário, o dólar subia 1,19%, cotado em R$ 2,467.

Exterior. Em Nova York, os índices futuros apontavam desde cedo para uma abertura em queda, embora o menor apetite por ativos mais arriscados tenha sido atenuado pelo crescimento de 1% da atividade da indústria nos Estados Unidos no mês passado ante agosto, acima da previsão de 0,4%, e no ritmo mais acelerado em pelo menos três anos. No mesmo horário, em Wall Street, o Dow Jones recuava 0,18% e o S&P 500 perdia 0,12%.  

Mais cedo, foi informado que o número de trabalhadores norte-americanos que entraram pela primeira vez com pedido de auxílio-desemprego nos Estados Unidos caiu fortemente nesta semana para o menor nível desde abril de 2000, indicando melhora no mercado de trabalho do país. Na semana encerrada em 11 de outubro, houve 23 mil solicitações a menos, caindo para 264 mil, após ajustes sazonais. O resultado ficou muito abaixo do esperado, de um total de 290 mil pedidos. As novas solicitações têm se mantido abaixo da marca dos 300 mil por cinco semanas consecutivas - maior intervalo abaixo desse patamar desde 2006.

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