Bovespa tenta esquecer semestre perdido

O mercado inicia a segunda metade de 2013 tentando se recompor num cenário desafiador

OLÍVIA BULLA, Agencia Estado

01 de julho de 2013 | 10h13

Depois de registrar o pior início de ano desde 1972 e as maiores perdas semestrais após a quebra do Lehman Brothers, a Bovespa inicia a segunda metade de 2013 tentando se recompor. Porém, as conjunturas internacional e, principalmente, doméstica, seguem desafiadora para os negócios locais, o que mantêm turvado o horizonte à frente. Nesta segunda-feira, uma rodada intensa de indicadores econômicos na China, zona do euro e Estados Unidos deve aguçar a volatilidade. Por volta das 10h05, o Ibovespa tinha leve alta de 0,05%, aos 47.480,81 pontos.

"O primeiro semestre foi horroroso para a Bolsa", resume o economista da Órama Investimentos, Álvaro Bandeira, em referência às perdas de 22,14% do Ibovespa entre janeiro e junho deste ano - a maior para igual período desde a crise do petróleo - após uma sequência de seis meses consecutivos de desvalorização. Diante disso, um operador da mesa de renda variável de uma corretora paulista acredita que a Bolsa pode até parar de cair. "Só que não sobe; não consegue se firmar", acrescenta.

Bandeira, da Órama, avalia que, olhando para o cenário externo, "as coisas estão um pouco melhor". "Agora, quando se transfere o foco para o Brasil, fica mais complicado", diz, referindo-se à deterioração das contas do governo e ao quadro econômico doméstico fraco, "com taxas de inflação e câmbio em expansão".

Qualquer mudança, avalia Bandeira, passa por um choque de credibilidade do governo brasileiro e sua política econômica, nos moldes do que ocorreu com a Seleção brasileira, ao derrotar os atuais donos do mundo no futebol. "Só que não dá para colocar o Felipão e o Neymar em campo", brinca, referindo-se ao técnico e ao principal jogador campeões da Copa das Confederações, após partida contra a Espanha no Maracanã.

Sem novidades no radar, a tendência é que o investidor, principalmente o estrangeiro, siga avesso ao Brasil, sem apetite para aplicar seus recursos nas ações brasileiras. No mercado futuro, por exemplo, os "gringos" mantêm uma aposta elevada na queda do índice Bovespa. "A Bolsa vai continuar pegando carona no exterior, à medida que conseguir se distanciar do foco interno", comenta o profissional citado acima, que falou sob a condição de não ser identificado.

Por enquanto, o sinal positivo prevalece em Wall Street e entre as principais bolsas europeias, após uma rodada mista de indicadores econômicos vindos da zona do euro e em meio à divulgação dos índices Markit e ISM de atividade industrial nos Estados Unidos. No horário acima, o futuro do S&P 500 subia 0,50%.

Na virada do dia, a China anunciou uma queda do seu índice oficial de gerentes de compras (PMI) em junho, para 50,1 de 50,8 em maio, em linha com as estimativas. Já o índice PMI chinês medido pelo HSBC cedeu a 48,2, de 49,2, no mesmo período, o que sugere que a atividade aprofundou-se mais no campo que indica retração. Esses dados podem influenciar no desempenho das ações da Vale.

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