Bovespa tenta recuperação e sobe, acompanhando NY

A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) começa a quarta-feira com um viés de recuperação, após a reação negativa extremada da véspera (-2,55%). Às 11h09, o Ibovespa (principal índice da bolsa paulista) subia 0,82%, aos 36.981 pontos, influenciado pela melhora das bolsas norte-americanas esta manhã, que ontem também tiveram um dia de perdas com a sinalização dada no comunicado do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) de que a fase de aperto monetário vai continuar. Mas a alta ainda é discreta em Nova York. O Nasdaq futuro e o S&P 500 registravam variação positiva de 018% por volta das 11 horas, enquanto o juro dos títulos do Tesouro norte-americano de 10 anos se mantinha praticamente estável ante o fechamento de ontem, no nível de 4,78%. Se o mercado internacional mantiver o tom positivo e se não houver hoje ruídos políticos, especialmente da parte do ministro Guido Mantega, a melhora da Bovespa pode ganhar consistência ao longo do dia. Porém, os analistas em renda variável alertam que, no curto prazo, a volatilidade deve ser a tônica dos negócios. O desconforto com a troca de Palocci por Guido Mantega no Ministério da Fazenda foi amenizado ontem pela decisão do presidente Lula de reforçar a autonomia do Banco Central (BC). Henrique Meirelles se reportará diretamente ao presidente, assim como os demais ministros. "Ele reforçou a independência do BC, mas veio pela porta dos fundos", observou uma fonte. Além disso, tenta comprar a idéia de que Mantega vai manter a política econômica que está aí, mas teme o surgimento de "ruídos". Na verdade, o desconforto com o novo ministro não foi dissipado ainda. O mercado também pode reagir, para o bem ou para mal, a escolha dos nomes que vão recompor o núcleo econômico do governo. O foco dos investidores no pregão de hoje devem ser as ações da Vale do Rio Doce e da Light. No caso da mineradora, segundo fonte, a expectativa é de que deve sair nos próximos dias, início de abril, uma decisão sobre o reajuste do preço do minério de ferro. Segundo fontes ouvidas pela Agência Estado, a mineradora estaria pedindo reajuste de 24%. No caso de Light, a expectativa é se os papéis vão continuar ladeira abaixo. Ontem, as ações despencaram 9,46%, refletindo o desagrado dos investidores com o valor pago pelo consórcio formado pela Cemig, Andrade Gutierrez, JLA Participações e Pactual Energia. O consórcio comprou na segunda-feira 79,57% do capital social da Light, que era controlada pela EDF, por USW$ 319,8 milhões.

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