BP deve emitir cerca de US$ 3 bi hoje em bônus de longo prazo

Bônus devem ser precificados com um spread de dois pontos porcentuais sobre os títulos comparáveis do Tesouro dos EUA, segundo pessoas próximas à venda

Álvaro Campos, da Agência Estado,

28 de setembro de 2010 | 15h59

A petroleira britânica BP planeja vender hoje cerca de US$ 3 bilhões em bônus de longo prazo, sua primeira venda desse tipo em mais de um ano, um sinal de que a gigante do setor de energia está conseguindo se estabilizar, após o vazamento no Golfo do México.

"Isso mostra que nós estamos retornando para os negócios como de costume, com uma gestão financeira normal", disse o porta-voz da BP, Andrew Gowers. Segundo ele, a última vez em que a BP organizou uma emissão de bônus dessa proporção foi em agosto de 2009, quando a empresa vendeu US$ 2 bilhões.

A emissão da BP acontece três dias antes de Bob Dudley assumir o cargo de executivo-chefe e pouco mais de uma semana depois de a petroleira encerrar permanentemente o vazamento que começou em abril no Golfo do México, finalizando uma saga de quase cinco meses que prejudicou a empresa.

A BP está vendendo bônus de 5 e 10 anos hoje e deve levantar entre US$ 2 bilhões e US$ 3 bilhões. Os bônus devem ser precificados com um spread de dois pontos porcentuais sobre os títulos comparáveis do Tesouro dos EUA, segundo pessoas próximas à venda.

Quem está coordenando a operação são os bancos Barclays Capital, BNP Paribas, Citigroup, Mizuho Securities USA Inc. e Royal Bank of Scotland. Os bônus devem receber o rating A2 da agência de classificação de risco Moody's e o rating A da Standard & Poor's. Os recursos serão usados para propósitos corporativos em geral, como o pagamento de empréstimos existentes, segundo um prospecto da empresa registrado na Securities and Exchange Commission (SEC, a CVM norte-americana).

Os mercados de capital se fecharam para a BP durante o vazamento do petróleo, quando investidores assustados provocaram forte queda nas ações da empresa e elevaram o custo para assegurar a dívida da petroleira contra default. Os custos para assegurar as dívidas da BP já caíram substancialmente, embora as ações da empresa ainda permaneçam 38% abaixo do nível de antes do vazamento.

No auge da crise, a BP conseguiu bilhões de dólares em linhas de crédito sem garantia para mostrar ao mercado sua capacidade em lidar com as operações diárias. A empresa também anunciou planos de vender US$ 30 bilhões em ativos em um período de 18 meses, para fortalecer seu balanço patrimonial. As informações são da Dow Jones.

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