BP quer investir em álcool da cana-de-açúcar no Brasil

A BP (antiga British Petroleum) está de olho na produção do álcool da cana-de-açúcar no Brasil. O vice-presidente sênior para Biocombustíveis da empresa, Philip New, admitiu hoje em entrevista no Rio que a companhia está estudando projetos para investir na produção e logística de exportação de álcool no país. Segundo ele, o "diagnóstico" sobre como serão feitos esses investimentos deverá ser concluído até o final do ano.O executivo não entrou em detalhes sobre os valores que a companhia pretende aplicar no negócio e nem mesmo que parceiros a BP está buscando para esse tipo de investimento. Indagado sobre a possibilidade de uma parceria com a Petrobras, ele esquivou-se: "falar sobre isso só será possível numa segunda etapa. Ainda é cedo", disse em entrevista após participar de evento promovido pela Câmara de Comércio Americano.Segundo Philip New, a BP "está aberta" a propostas e deverá estudar todas as relacionadas à produção do álcool. Ele deu a entender que a idéia é mesmo comprar ou construir uma usina. "Mas não seremos tolos de entrar no ramo agrícola, que não é o nosso segmento de atuação", disse.Além do Brasil, a BP também deverá focar projetos em determinadas áreas da África, Caribe e ainda regiões localizadas na Indonésia e Filipinas. A companhia, que hoje detém 10% do mercado mundial de biocombustíveis e é pioneira no desenvolvimento do biodiesel a partir de oleaginosas na Europa, ainda não possui produção em larga escala de álcool proveniente da cana. "Mas essa será a grande alternativa desse mercado de biocombustíveis", afirmou categoricamente o executivo, lembrando que a empresa tem previstos US$ 500 milhões para investir no setor no mundo em 10 anos.Segundo suas projeções, os biocombustíveis deverão saltar até 2030 de uma atual fatia de 3% do mercado mundial de combustíveis para 30%. Desse total, pelo menos a metade virá do álcool da cana-de-açúcar. "E o Brasil detém a expertise da produção, transporte e até mesmo o cultivo de diferentes variedades, ou mesmo a forma de realizar o blend, o mix, que origina o álcool, ao contrário da Austrália, por exemplo, que possui cultivo de cana, mas não consegue acertar esse mix. Por isso, o Brasil tem todo o potencial para liderar esse mercado", argumentou.Para ele, são quatro os principais desafios para que os biocombustíveis consigam atingir mesmo a fatia de 30% do mercado em 2030. O primeiro deles é a questão relativa à competitividade junto aos demais combustíveis fósseis. Segundo New, para ser competitivo, é preciso considerar o barril de petróleo a um custo de US$ 40. Hoje, apenas o álcool da cana é competitivo nesse patamar", disse.O segundo desafio é o de disponibilidade. "A cana terá que ser cultivada em áreas que não comprometam a biodiversidade e nem mesmo a oferta de alimentos", considerou. O terceiro aspecto é relacionado à performance do biocombustível, que deve ser igualado ao do combustível fóssil. Para o executivo, por exemplo, há a necessidade de desenvolvimento de tecnologias para retirar ainda mais água do álcool produzido hoje, num processo que seria semelhante ao da melhoria da octanagem da gasolina.E por último, disse, está a questão da sustentabilidade. "O biocombustível será desenvolvido mais nos países que estão conscientes dos problemas ambientais que o mundo enfrenta e que estão dispostos a pagar mais por isso", avaliou.

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