Bradesco entra na disputa por usina

O banco Bradesco oferecerá uma fiança e uma linha de crédito de R$ 1,350 bilhão ao grupo de acionistas minoritários da companhia Açucareira Vale do Rosário para que estes exerçam o direito de preferência na aquisição da fatia majoritária da empresa produtora de açúcar e álcool. Os minoritários decidiram ontem exercer o direito de preferência para levar o controle da empresa.A solução anunciada ontem em Ribeirão Preto, interior de São Paulo, ratifica a decisão dos acionistas minoritários da Vale do Rosário de tirar o Grupo Cosan do negócio. A disputa pela segundo maior grupo sucroalcooleiro do País envolve pesos pesados. Além do Bradesco, maior banco privado do País, e o Cosan - maior produtor de álcool e açúcar do Brasil -, a Vale do Rosário é disputada ainda pela Bunge, líder na produção de alimentos. Os fundos de investimentos administrados pela GG Investimentos, do ex-ministro Antonio Kandir, e Gávea, do ex-presidente do Banco Central, Armínio Fraga, podem participar do negócio junto com os acionistas minoritários. Tanto a carta de fiança quanto a linha de crédito, dadas pelo Bradesco, foram concedidas a Pedro Biagi e Cícero Junqueira Franco. Ambos lideram um grupo que detém 26% de ações da Rosário. Com essa fatia, os dois poderiam adquirir outros 26% da empresa ao exercer o direito de preferência de compra das ações. Isso daria ao grupo 52% do capital.De acordo com Franco, a decisão de exercer o direito de preferência impede a aquisição pela Cosan e praticamente afasta a Bunge. ?Neste momento, a Cosan está fora. Esperamos fechar negócio em uma semana?, disse Franco, após a reunião de minoritários, realizada ontem à tarde, em Ribeirão Preto.Segundo Franco, num segundo momento, os fundos GG e Gávea podem entrar na empresa. ?A proposta dos fundos é muito interessante, pois não prevê a participação deles na administração da companhia.? Franco contou que, além das ofertas da Cosan, Bunge, dos fundos e do financiamento do Bradesco, o BNDESPar também fez uma proposta para entrar no negócio, o que pode ocorrer num segundo momento.O empresário elogiou a presença de executivos da Cosan na reunião, pois foi ?uma forma de dialogar com os minoritários?. Sobre o financiamento do Bradesco, ele afirmou que o banco ?sempre foi parceiro da Vale do Rosário e que se mostrou a disposição quando procurado pelos acionistas?.GuerraQuem acompanha a negociação garante que a disputa ganhou motivações passionais. A família Junqueira, controladora da Vale do Rosário, teria considerado ?uma traição? a tentativa da Cosan comprar a usina a partir do bloco de controle. A Vale do Rosário tem 109 acionistas e um grupo que representa 50,2% chegou a concordar com a oferta do grupo controlado por Rubens Ometto.Ometto teria se aproveitado do descontentamento deste grupo, que chegou a oferecer o negócio inicialmente para a Bunge Alimentos. O dono da Cosan já havia tentado assumir o controle da Vale do Rosário há cerca de 10 anos. ?Foi uma ofensiva desorganizada. Agora, é diferente?, diz uma fonte ouvida pelo Estado.Com a Vale do Rosário, Ometto ampliaria em 25% a capacidade de processamento de cana-de-açúcar, o que reforçaria o poder do grupo. O Cosan dá sinais que pretende avançar no processo de consolidação do setor. De 40 milhões de toneladas, o grupo alcançaria uma capacidade de 50 milhões de toneladas.

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