Bradesco foca ações de empresas que atuam no mercado interno

Com o aumento recente da volatilidade na bolsa provocada, principalmente, pela queda das ações de commodities, a estratégia da Bradesco Asset Management (Bram) tem sido focar em empresas que possuam maior relação com o mercado interno, de acordo com o diretor de renda variável da instituição, Herculano Anibal. Ele não revela números para o Ibovespa, principal índice da Bolsa paulista, mas projeta uma valorização superior à da renda fixa nos próximos 12 meses, caso não haja nenhum choque externo muito forte nesse período. Entre as companhias que devem se beneficiar da estabilidade e do crescimento, embora moderado, da economia brasileira, Anibal cita Net e Localiza. As duas devem ganhar mercado com a melhora de indicadores como emprego e renda da população. Especificamente na empresa de TV a cabo, ele destaca a diversificação dos serviços, como banda larga e telefonia, enquanto Localiza deve continuar em forte expansão a partir da consolidação do setor. ?Segundo dados da companhia, havia cerca de 2.400 concorrentes no ramo há quatro anos. Hoje, são 1.900?, reitera. Ele lembra ainda da maior ocupação nos vôos, que impulsiona o aluguel de veículos nos aeroportos. Com a perspectiva de redução maior dos juros e a conseqüente expansão do crédito, os bancos e o setor de construção civil também devem apresentar bons resultados, na análise do diretor da Bram, segunda maior gestora de recursos do País, com cerca de R$ 122 bilhões em patrimônio. Para Anibal, ainda é cedo para determinar se o movimento de queda das ações de commodities é uma tendência. Ele credita as oscilações aos dados da economia norte-americana, que mostram uma desaceleração no nível de atividade. ?No curto prazo, os papéis devem se comportar de acordo com os números que vierem dos Estados Unidos.? Neste momento, o executivo revela preferir os papéis da Petrobras aos da Vale do Rio Doce, ambos alvo de venda em conseqüência do recuo das cotações internacionais das commodities. Ele não acredita que a recente queda do petróleo influencie negativamente o nível de rentabilidade da estatal. ?Os preços estão em um patamar ajustado para a empresa, mesmo que caiam um pouco mais?, calcula, ao mencionar os baixos custos de produção da companhia e o aumento do consumo interno de combustíveis acima do PIB. Quanto à mineradora, as incertezas são maiores e estão basicamente localizadas na China, avalia. ?Se a economia chinesa apresentar uma desaceleração, as negociações para o reajuste do minério de ferro ficarão mais difíceis.? O real valorizado é outra variável negativa destacada pelo especialista da Bram. Por outro lado, ele considera que a relação entre oferta e demanda ainda favorece a companhia brasileira, e mesmo uma possível estabilidade dos preços não chegaria a ser negativa.

Agencia Estado,

20 de setembro de 2006 | 07h00

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