Brasil continua líder do ranking mundial do juro

A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central hoje não deve tirar do Brasil o título de campeão mundial de juros reais (taxa Selic descontada a inflação projetada para os próximos 12 meses). Segundo levantamento da consultoria econômica UpTrend, mesmo se a aposta majoritária do mercado, de corte de 0,5 ponto porcentual, for confirmada, o País continuará no topo do ranking, com uma taxa real de 9,3% ao ano. A média mundial é de 1,9%. Para deixar a liderança do ranking, o Copom teria de reduzir a Selic em 3,75 pontos, o que resultaria num juro real de 6,2%, igual ao da Turquia. "Mas esse é um cenário pouco factível no curto e médio prazos", afirmou o economista-chefe da consultoria, Jason Freitas Vieira. Ele disse que, apesar da queda da Selic, a projeção de inflação também recuou. Isso explica o ritmo mais lento de queda do juro real. Essa taxa é importante para medir o ganho que o investidor terá numa aplicação no mercado financeiro. "Juros elevados direcionam investimentos do setor produtivo para o setor financeiro", afirmou Vieira. Mas também não adianta ter um juro real baixo às custas de uma inflação alta, como é o caso de Turquia e Venezuela. Nesses países, a taxa nominal de juros é de 17,5% e 16,11% ao ano, respectivamente, e a taxa real de 6,2% e 0,7%. É preciso ter um juro real saudável, com taxa nominal baixa e inflação controlada. No Brasil, os índices de preços tanto para este ano quanto para 2007 estão comportados, mas os juros nominais ainda estão elevados, em 14,25% ao ano. Desde setembro do ano passado, quando o BC começou a afrouxar a política monetária, a Selic caiu 5,5 pontos porcentuais. Foram dez reduções consecutivas, sendo uma de 0,25 ponto, três de 0,75 ponto e 6 de 0,50 ponto. Para a reunião de hoje, o mercado aposta numa queda de meio ponto, para 13,75% ao ano, a menor desde 1975. O economista Alexandre Póvoa, da Modal Asset Management, em seu relatório semanal, afirma que um dos números positivos que devem contribuir para o recuo da Selic é o preço do petróleo, que caiu 18% de setembro para cá. "Com isso, os valores local e internacional da gasolina inverteram-se. Hoje os preços no mercado doméstico estão cerca de 15% mais altos que no exterior." Além disso, diz ele, a trajetória de queda das expectativas de inflação para 2006 e 2007 é bastante positiva. Esse conjunto de fatores abre espaço para uma atuação mais agressiva do Copom na redução da taxa de juros este mês, avalia a consultoria Rosenberg & Associados. "A trajetória de queda das expectativas de mercado para o IPCA de 2006 continua a ser observada. O mais interessante é que, nas últimas semanas, tanto as expectativas para 2006 quanto para 2007 apontaram quedas", afirmam os economistas da consultoria. Outro fator primordial para a continuidade de queda dos juros é o tímido desempenho da economia brasileira. No primeiro semestre, o crescimento foi de 2,2%. A expectativa é de que a taxa Selic termine este ano entre 13% e 13,5%. Em 2007, segundo a previsão dos analistas, os juros cairiam para 12% e, em 2008, para cerca de 10,5% ao ano. "Independentemente de quem ganhar a corrida presidencial, o caminho está aberto para uma queda da taxa Selic, até de 12% ao final do terceiro trimestre de 2007", afirma Póvoa. (Colaborou Francisco Carlos de Assis)

Agencia Estado,

18 de outubro de 2006 | 09h12

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